Tributo de amizade
Ao Ilmo. Sr. Dr. José
Mariano da Costa.
Eu vi a branca rosa
perfumada
No hábil melindroso
reclinada,
Miragem vaporosa, e
descuidada
A mirar-se gentil à
beira-mar;
Melindrosa, e sutil
nascia a aurora,
De esperança sem fim era
essa a hora
De encanto e seduções — falaz
embora
Como beijo que mente
infindo amar.
Mas ela era tão casta,
tão mimosa
Gentil, meiga, tão bela,
tão formosa!
Era um tipo de amor a
linda rosa,
Era um vago ideal de
poesia!
Sonhava sonho casto — de
pureza...
Cismava... o que, meu
Deus? Tanta beleza
Não sei se tem reunida a
natureza,
Quando desperta com o
nascer do dia!...
No seu cismar mimoso a
flor sorriu
A leda
viração O sol feriu
As águas do oceano — e
refluiu
Luminoso, abrasado sobre
a flor;
Ela, tímida, e meiga — retraiu-se
Mimosa sensitiva
um ai ouviu-se.
Mistério! a branca rosa
ressentiu-se,
Desse raio de sol de
infindo ardor.
E uma hora depois — enregelada
Eu vi a branca rosa
desbotada
Na haste gemebunda, e
reclinada
Morrer ao som de uma
harpa melodiosa!...
Amor, jamais a flor
outro sentira
A não ser o do
céu anjo subira
Equilibrado nas asas de
safira,
A mirar-se na plaga
venturosa.