A Conquista do Pão: O Bem-Estar para Todos III A Conquista do Pão: Tradução Literunico · Capítulo 7 de 55
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A Conquista do Pão: O Bem-Estar para Todos III

Pois bem, parece-nos que só há uma resposta a essa pergunta: reconhecer e proclamar em voz alta que cada um, qualquer que tenha sido sua etiqueta no passado, quaisquer que sejam sua força ou sua fraqueza, suas aptidões ou sua incapacidade, possui antes de tudo o direito de viver, e que a sociedade deve repartir entre todos, sem exceção, os meios de existência de que dispõe. Reconhecer isso, proclamá-lo e agir em consequência.

Fazer com que, desde o primeiro dia da Revolução, o trabalhador saiba que uma era nova se abre diante dele. Que doravante ninguém será forçado a dormir sob as pontes, ao lado dos palácios, a ficar em jejum enquanto houver alimento, a tremer de frio perto dos armazéns de peles. Que tudo seja de todos, na realidade como no princípio, e que enfim, na história, produza-se uma revolução que pense nas necessidades do povo antes de lhe dar lições sobre seus deveres.

Isso se cumprirá unicamente pela tomada de posse imediata e efetiva de tudo o que é necessário para assegurar a vida de todos, jamais por decretos. Essa é a única maneira verdadeiramente científica de proceder, a única compreendida e desejada pela massa do povo. Tomar posse, em nome do povo revoltado, dos depósitos de trigo, dos armazéns transbordantes de roupas, das casas habitáveis. Nada desperdiçar, organizar-se de imediato para preencher as faltas, enfrentar todas as necessidades, satisfazer todos os carecimentos, produzir para permitir que a sociedade viva e se desenvolva, sem destinar a produção ao benefício de quem quer que seja.

Basta dessas fórmulas ambíguas, como o direito ao trabalho, com a qual se enganou o povo em 1848 e ainda se procura enganá-lo. Tenhamos a coragem de reconhecer que o bem-estar, doravante possível, deve realizar-se a qualquer preço. Quando os trabalhadores reclamavam em 1848 o direito ao trabalho, organizavam-se oficinas nacionais ou municipais, e mandavam-se os homens penar nessas oficinas por quarenta soldos ao dia. Quando pediam a organização do trabalho, respondiam-lhes: Pacientem, meus amigos, o governo vai cuidar disso, e por hoje aqui estão quarenta soldos. Descanse, rude trabalhador, que penou toda a vida! E, enquanto isso, apontavam-se os canhões.

Levantava-se o bando e o restante da tropa, desorganizavam-se os próprios trabalhadores por mil meios que os burgueses conhecem à perfeição. E um belo dia diziam a eles: Partam para colonizar a África, ou vamos metralhá-los! Outro será o resultado se os trabalhadores reivindicarem o direito ao bem-estar. Proclamam por isso mesmo seu direito de apoderar-se de toda a riqueza social, de tomar as casas e nelas se instalar segundo as necessidades de cada família, de apreender os víveres acumulados e usá-los de modo a conhecer o bem-estar, depois de terem conhecido a fome por tempo demais.

Proclamam seu direito a todas as riquezas, fruto do labor das gerações passadas e presentes, e delas usam de modo a conhecer as altas fruições da arte e da ciência, por tempo demais açambarcadas pelos burgueses. E ao afirmar seu direito ao bem-estar, declaram, o que é ainda mais importante, seu direito de decidir por si mesmos o que deve ser esse bem-estar, o que é preciso produzir para assegurá-lo e o que deve ser abandonado como sem valor doravante.

O direito ao bem-estar é a possibilidade de viver como seres humanos e educar os filhos para fazer deles membros iguais de uma sociedade superior à nossa, enquanto o direito ao trabalho é o direito de permanecer sempre escravo assalariado, homem de pena, governado e explorado pelos burgueses de amanhã. O direito ao bem-estar é a revolução social. O direito ao trabalho é, quando muito, uma prisão industrial. Já é tempo de o trabalhador proclamar seu direito à herança comum e tomar posse dela.

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