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Adwig — Rainha Imortal

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Adwig — Rainha Imortal

Capítulo 1 · Adwig — Rainha Imortal

Capítulo 1

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Passos apressados.

Aquilo, além de incomum, parecia um mau presságio. A entrada da caverna ficava na parte mais sombria de um bosque desabitado. Não havia flores nem frutos. A vegetação era espinhosa, gosmenta e, em alguns pontos, venenosa. Era uma paisagem estranha para um território elfo, quase sempre associado à beleza que aquele povo cultivava com orgulho.

A impressão mudava depois dos primeiros túneis. A pedra escura dava lugar a corredores amplos, iluminados por cristais e raízes claras. As paredes acompanhavam as formas naturais da caverna, mas haviam sido trabalhadas com tanta precisão que era difícil saber onde terminava a rocha e começava a arquitetura. Mais adiante, os corredores se abriam em salões semelhantes aos de um castelo construído sob a floresta.

Poucas pessoas chegavam até ali. Alguns seguidores antigos visitavam Adwig para levar notícias ou buscar conhecimento para alguma causa. Para grande parte dos elfos, porém, a rainha que vivia na caverna havia se tornado uma lenda. Entre os que acreditavam em sua existência, muitos preferiam chamá-la de bruxa. Quase ninguém ainda a procurava como pessoa.

Adwig escrevia suas memórias quando percebeu a aproximação. A pena parou sobre o papel. Depois de tantos séculos, era difícil imaginar algo que justificasse aquela pressa.

O visitante entrou no salão antes que ela se levantasse.

Adwig arregalou os olhos. O homem diante dela era alto, pálido e magro. Os cabelos longos e lisos tinham um tom loiro acobreado; os olhos eram escuros. As roupas rasgadas, a sujeira e o cansaço alteravam os traços que ela conhecia, mas não o bastante para esconder a semelhança entre os dois.

Era Teleret, seu irmão gêmeo. Ela não o via havia centenas de anos.

— Chegou a hora, irmã. A profecia está se cumprindo. Um raio trouxe um portal para levar nosso pai de volta. Precisamos nos preparar.

Adwig o observou em silêncio. Teleret parecia ter passado muito tempo sem cuidar de si. Havia urgência na voz, mas também uma agitação que o tornava difícil de acreditar.

— Isso é uma história de criança, meu irmão. Depois de tanto tempo, você vem me procurar por causa dela?

— Chegou a hora de sairmos das cavernas e voltarmos a ser quem éramos.

— Teleret, todas as vezes que me visitou trazendo notícias de grandes acontecimentos, elas se mostraram falsas ou exageradas. E olhe para você. O que aconteceu?

Ele baixou os olhos por um instante, mas não respondeu.

— Não podemos demorar. Você sabe que o tempo passa de modo diferente no planeta de nosso pai. Ele vive anos lá enquanto poucas horas se passam aqui. Você sentiu que ele voltou, não sentiu? Eu o acompanhei desde então. Ele disse que só entraria em outro portal se fosse chamado pela profecia.

Adwig sentira alguma coisa no momento em que o raio abriu a passagem. Chegara a considerar que pudesse ser o pai, mas decidira permanecer na caverna. Se ele não fizera questão de procurá-la, ela também não iria atrás dele.

— Imaginei que fosse ele. Talvez essa profecia que nunca se cumpriu seja apenas outro amor que encontrou em algum planeta, outra mentira ou outra criação usada para justificar sua ausência.

O povo elfo cantava seu pai como Deus, criador da vida, onipresente, onipotente e onisciente. Adwig sabia que ele havia criado vida naquele planeta, atravessava distâncias impossíveis e conhecia outros mundos. Também sabia que ele estava longe de possuir os atributos que a religião lhe dava. Nenhum culto apagava o fato de que ele deixara a própria filha esperando.

— Sei que você virá, mais cedo ou mais tarde — disse Teleret. — Preciso reunir os elfos. Se preferir, procure Mantelar. Ele está no Vale dos Gigantes. Sei que nele você irá confiar.

Teleret partiu com a mesma rapidez com que chegara.

Adwig voltou para as escrituras. Tentou retomar a frase interrompida, mas a voz do irmão reaparecia entre as palavras. E se o pai tivesse sido chamado pela profecia? Ela fora preparada durante a infância para aquele momento. Disseram-lhe que salvaria seu povo, reencontraria os que se foram e encerraria uma espera que já durava tempo demais.

A possibilidade de rever os mortos ainda conseguia alcançá-la.

Adwig atravessara séculos sem envelhecer como os outros. Sua aparência, mesmo entre os elfos, chamava atenção. O brilho da pele, a simetria dos traços e a permanência da juventude faziam dela uma imagem fácil de adorar. A rainha imortal, a filha de Deus, a mais admirada entre um povo conhecido pela beleza.

Ela nunca se sentira abençoada por isso.

Os outros envelheciam e morriam. Adwig permanecia, perdendo pessoas e acumulando lembranças que já não podia dividir com ninguém. A diferença que despertava admiração também a fazia sentir-se uma aberração. Era transformada em lenda justamente porque continuava viva quando todos os que a haviam conhecido desapareciam.

Pensou em Mantelar.

Ele era um Tryper, descendente da mistura entre elfos, fadas, gigantes e coraces, os quatro povos daquele mundo. Depois da ruptura geológica do planeta, as raças haviam se afastado. Quando se aproximavam, quase sempre era para guerrear. Com o tempo, a existência de um único rei ou rainha dos povos fora reduzida a uma lenda, assim como as histórias sobre Deus.

Os Trypers, rejeitados por todos os lados de sua origem, acabaram se unindo. Adwig se reconheceu neles e os acolheu. Durante algum tempo, apresentou-se como uma Tryper poderosa, uma espécie de bruxa boa, sem revelar toda a extensão do que podia fazer.

Mantelar era criança quando a conheceu e cresceu vendo nela uma heroína. O menino, porém, ficara muitos séculos para trás. Antes de qualquer vínculo amoroso, Mantelar viveu como nômade, tornou-se pesquisador, guerreiro e uma referência para a própria comunidade. Já adulto, escolheu proteger Adwig, embora soubesse que ela raramente precisava de proteção. Ela aceitou porque o papel tinha significado para ele e porque, em alguns momentos, fazia bem saber que alguém permaneceria ao seu lado por escolha.

Adwig fechou o livro de memórias.

Não sabia se acreditava na profecia, em Teleret ou no retorno do pai. Sabia apenas que Mantelar não usaria o fim do mundo como desculpa para chamá-la. Se ele estava no Vale dos Gigantes, encontrá-lo seria uma forma de descobrir o que realmente acontecia.

Guardou a pena, levantou-se e deixou a caverna.

Quando chegou ao Vale dos Gigantes, percebeu que Teleret talvez tivesse trazido uma notícia verdadeira pela primeira vez.

Adwig — Rainha Imortal

Sinopse

Alguns nascem para governar. Outros nascem para sobreviver. Adwig nasceu para eternizar. Em um universo onde vidas atravessam mundos e consciências despertam em novos corpos, ela carrega algo que poucos compreendem: uma imagem que cruza reinos, eras e fronteiras planetárias com a mesma intensidade com que ama e luta. Rainha por direito, guerreira por necessidade, Adwig precisa sustentar seu trono em meio a alianças frágeis, paixões complexas e ameaças que ultrapassam batalhas físicas. Em um cenário onde cada decisão tem consequências além de um único planeta, ela aprende que liderar não é apenas comandar, é suportar a necessidade das escolhas que ninguém mais pode fazer. Entre viagens interplanetárias, reencontros inesperados e sentimentos que desafiam regras, Adwig descobre que imortalidade não significa invencibilidade. Significa responsabilidade. E quando o universo começa a se mover em direções imprevisíveis, ela precisará provar que ser eterna não é o mesmo que ser inquebrável. Às vezes, o maior poder não está em viver para sempre. Mas em escolher por quem vale a pena continuar.

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