Capítulo 11
Frempor esperou o tempo que havia combinado com Adwig. Quando decidiu subir, o Magnata apareceu no alto da escadaria.
— Chegamos a um acordo. A rainha permanecerá aqui para descansar e me escolheu como porta-voz. Continuarei no comando dos Coraces sob as ordens dela.
— Antes de subir, Adwig nos orientou a não aceitar nenhuma instrução atribuída a ela — respondeu Frempor. — Se chegaram a um acordo, ela pode descer e confirmá-lo.
O Magnata manteve o sorriso.
— Está exausta. Pediu que fossem tratados como convidados enquanto se recupera.
Frempor não aceitou que o grupo fosse separado. O Magnata permitiu que permanecessem no salão principal e mandou servir comida. Funcionários trouxeram mesas e organizaram uma recepção sob a vigilância dos guardas.
Servero percebeu que as bebidas destinadas à comitiva vieram de uma sala diferente. Avisou Frempor, que ordenou a todos que não tocassem nas taças.
O Magnata surgiu numa sacada.
— Proponho um brinde ao Reino Unificado.
— Não beberemos nada antes de falar com nossa rainha — declarou Frempor.
O sorriso desapareceu.
— Conhecia suas histórias, Frempor. Não sabia que era você. As mortes tranquilas que teriam em alguns dias agora precisarão acontecer nesta sala.
Assassinos saíram de passagens ocultas. Bestas se projetaram das paredes, carregadas e apontadas para a equipe.
Quando as flechas foram disparadas, um portal se abriu.
Athos e Krakor atravessaram juntos. Athos desviou os projéteis com o ar enquanto Krakor aqueceu as armas até que seus portadores precisassem soltá-las. Frempor e os soldados imobilizaram os homens que ainda tentaram atacar.
O Magnata recuou.
Krakor avançou, segurou-o pelo pescoço e o ergueu.
— Onde está minha filha?
— Se me matar, não saberá. Mesmo que a encontre, não conseguirá abrir a prisão.
— Athos viu o ataque — disse Krakor. — Chegaremos até ela.
O Magnata tentou respirar.
— Também tenho seu outro filho.
— Teleret morreu em Key e já renasceu. Sei onde ele está.
— Não falo de Teleret. Falo de um filho que você nunca teve coragem de procurar.
Krakor o soltou.
Athos não havia visto aquela informação. Sua imagem terminava no ataque contra a comitiva, passava pelo Magnata caído e mostrava Adwig livre. Não revelava quem mais estava na coleção.
— Você não ia me matar — disse o Magnata, recuperando o ar. — Estudei suas decisões. Conheço suas fugas, sua culpa e a necessidade de acreditar que ainda pode reparar tudo.
Ele acionou o piso. Paredes transparentes começaram a se fechar ao redor de Athos e Krakor.
Krakor puxou o Magnata para dentro antes que a prisão se completasse. O homem tentou acionar outro mecanismo. Krakor atravessou o peito dele e arrancou seu coração.
— Você estudou quem eu fui — disse Krakor. — Isso não basta para prever o que farei agora.
O corpo do Magnata desapareceu.
Athos não atacou as paredes. Seguiu as linhas luminosas até o ponto em que a energia era conduzida ao piso e rompeu a base pelo lado de fora. A estrutura perdeu força e recuou.
Na sala superior, encontrou o mesmo sistema atrás de uma parede móvel. Adwig estava numa das redomas. Athos atingiu a base, e a prisão se abriu. Segurou-a antes que caísse.
Krakor parou diante de outro prisioneiro. O rapaz não era elfo, mas possuía traços semelhantes aos de Adwig e aos dele. A informação do Magnata transformava a semelhança em possibilidade, ainda distante de uma confirmação.
Adwig abriu os olhos nos braços de Athos. Reconheceu-o, mas não teve tempo de reagir. Krakor se aproximou.
Pai e filha se olharam depois de séculos.
Krakor a abraçou. Adwig deixou que ele a segurasse por alguns segundos, ainda fraca e sem conseguir separar alívio, raiva e saudade.
Athos desativou o sistema central. Frempor, Servero e os Coraces começaram a retirar os demais prisioneiros. Muitos continuaram desacordados e precisaram ser levados para o salão, onde o socorrista organizou o atendimento.
— Aquele homem pode ser meu irmão? — perguntou Adwig.
— Pode — respondeu Krakor. — Ainda não sabemos.
Athos observou o espaço ao redor.
— Precisamos atravessar para Vésper. Lá poderemos entender quem ele é e discutir o que faremos a seguir.
— O Magnata morreu. Essas pessoas foram libertadas, e os Coraces ficaram sem governo.
Frempor ouviu a discussão e se aproximou.
— Posso coordenar a segurança com os representantes daqui até seu retorno. Não assumirei o governo deles. Precisamos impedir saques, vinganças e uma nova disputa pela mansão.
O socorrista Corace concordou em reunir trabalhadores, curadores e responsáveis pelos cultivos para formar uma administração provisória.
— A proteção temporal de Vésper manterá Key sem avanço enquanto estivermos lá — explicou Athos. — Para eles, voltaremos no instante em que partirmos.
Adwig olhou para Frempor.
— Não permita que alguém fale em meu nome.
— Nem mesmo a senhora, se voltar dizendo que entregou tudo a outro Magnata.
Ela quase sorriu.
Krakor carregou o possível filho. Adwig atravessou o portal depois dele, seguida por Athos.