Capítulo 25 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 25 de 51
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Capítulo 25

Adwig continuou olhando para a seringa vazia no chão. Móretar sabia que o líquido escolheria seu próximo destino. Mesmo assim, desviara a agulha.

Athos abriu uma passagem para reunir quem permanecera fora da sala do trono. Dafa foi uma das primeiras a atravessar. Procurou Móretar entre os sobreviventes e parou diante do espaço vazio ao lado de Adwig.

— Onde ele está?

Adwig apontou para a seringa.

— Hades tentou aplicar o soro em mim. Móretar desviou o golpe e desapareceu.

Dafa pegou o dispositivo. Nenhuma rota aparecia na pequena tela.

— Então não sabemos onde ele acordou.

Não havia acusação na voz. Havia medo.

Athos precisava decidir o que fazer com Poseidon e Hades antes que despertassem. Médera contou que, durante a infiltração, encontrara uma prisão no interior do Castelo. A construção antecedia o governo de Poseidon e fora feita para conter seres capazes de romper paredes e passagens entre planetas.

— Aprendi a ativá-la — disse. — Não descobri quem a construiu.

Levaram os dois prisioneiros até uma câmara cercada por placas transparentes. Médera encostou a mão num dos lados. As placas se fecharam e perderam qualquer sinal de abertura.

— Somente quem realizou o selo pode desfazê-lo — explicou.

Athos examinou a estrutura.

— Não gosto de manter os dois em Atlas. Elaryan conhece este lugar.

Atlantis fora construída como uma única peça ligada ao planeta. Retirar a prisão poderia derrubar parte da cidade. Athos decidiu que transferiria toda a estrutura para Vésper depois que os habitantes fossem retirados e ele recuperasse energia suficiente.

Médera se ofereceu para permanecer até lá. Pegou o tridente de Poseidon, que funcionava como arma e chave para diferentes sistemas de Atlantis.

Krakor observou a naturalidade com que ela o segurou.

— Vou precisar conhecer tudo o que esta arma abre — disse Médera.

Lúcifer ficou com ela para vigiar os prisioneiros e testemunhar qualquer alteração no selo.

Athos levou os demais para Inc. Perséfone já havia sido libertada, e o acordo de Freya exigia que os lobos fossem retirados dali. O grupo seguiu para Vésper, onde Krakor organizou um abrigo provisório enquanto outros preparavam água, alimento e proteção.

Silency foi levada para repousar.

Athos se preparava para voltar a Atlas quando uma passagem se abriu diante dele. Emma, Rainha das Águas, atravessou sozinha.

Adwig a reconheceu do encontro breve que tiveram. A mulher diante dela carregava outra postura, outras roupas e sinais de um tempo que não deveria ter passado em Vésper.

— Elaryan encontrou um caminho que não obedece ao isolamento daqui — disse Emma.

Athos empunhou a espada.

— Quanto tempo passou do lado de fora?

— Mais do que deveria.

Emma olhou para Adwig.

— Preciso levá-la.

— Está aqui por vontade própria? — perguntou Adwig.

Emma demorou a responder.

— Eu escolhi vir. Não posso dizer que escolhi todas as condições.

— Por que Elaryan precisa de mim?

— Ela disse que você deve chegar ao próximo ponto antes que a sequência mude. Não me contou o que pretende fazer quando estiver lá.

Athos se colocou entre as duas.

— Então ninguém atravessa até sabermos quais são as condições.

Adwig segurou o braço dele.

— Ela continuará enviando pessoas. Quero descobrir por que não para de me conduzir de um lugar para outro. Mas você precisa conseguir me localizar.

— Não posso garantir isso se ela controlar a passagem.

— Então encontre outra forma.

Dafa se aproximou.

— Móretar acabou de desaparecer porque tomou uma seringa destinada a você. E sua resposta é se entregar à pessoa que colocou tudo isso em movimento?

— Minha resposta é descobrir por que ela não para de me perseguir.

— Descubra sem repetir o sacrifício dele.

Emma tocou o braço de Adwig. Uma passagem começou a se formar.

Dafa avançou para separar as duas. Adwig havia reduzido o cetro para prendê-lo à cintura. Dafa tomou a arma e tentou usá-la para afastar a mão de Emma sem feri-la.

Adwig segurou a outra extremidade.

O cetro reagiu às duas forças. A haste se estendeu de repente, formando lâminas em sentidos opostos.

O movimento do confronto empurrou uma ponta contra o peito de Adwig e a outra contra Dafa.

Nenhuma das duas escolhera morrer. Seus corpos desapareceram antes que Emma ou Athos pudessem alcançá-las.

Adwig acordou num gramado. Dafa estava caída perto dela. Cavaleiros avançavam pela estrada, mas nenhuma das duas conseguia mover braços ou pernas.

Uma mulher as puxou para junto de uma árvore antes que fossem pisoteadas.

— Vocês já devem saber quem sou — disse.

— Elaryan — conseguiu responder Dafa.

Elaryan recolheu o cetro, novamente reduzido.

— Seus corpos ainda não conseguem usar tudo o que existe neste lugar. A exposição acelera a adaptação.

Pequenos pássaros desceram da árvore. Pousaram sobre a pele descoberta das duas e começaram a feri-las com os bicos.

— Deixar animais nos atacarem enquanto não conseguimos nos mover não é adaptação — disse Dafa, com dificuldade. — É tortura com um nome que você considera mais conveniente.

— Também é uma forma de descobrir quanto tempo vocês levam para reagir.

Elaryan se afastou.

Adwig tentou mover os dedos. Dafa virou o rosto em sua direção. Não precisaram falar.

O ar aqueceu ao redor de Dafa. Alguns pássaros recuaram; outros começaram a queimar.

Adwig sentiu a matéria dos animais que permaneciam sobre ela. Não sabia como controlá-la. Conseguiu apenas desfazer por instantes a estabilidade dos corpos menores e mais próximos. Eles se dissolveram antes que alcançassem novamente sua pele.

As duas recuperaram movimento aos poucos e se levantaram.

Elaryan voltou. Parecia surpresa.

— Mais rápido do que calculei.

Dafa tentou caminhar até ela.

— Você vai responder por isso.

— Se continuarem alterando minhas expectativas, talvez ainda tenham essa oportunidade.

Elaryan moveu a mão. Adwig perdeu a consciência antes de conseguir alcançar Dafa.

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