Capítulo 9 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 9 de 51
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Capítulo 9

A floresta lembrava o lugar onde Adwig vivera reclusa. Era densa, úmida e ocupada por pássaros, insetos e pequenos animais. Árvores altas dividiam o espaço com raízes expostas, arbustos e cipós que dificultavam a passagem.

O grupo era grande e variado demais para avançar com facilidade. Os maiores não atravessavam os trechos estreitos. Os menores precisavam de ajuda quando o solo cedia sob folhas acumuladas. Galhos caíam depois que alguém forçava a vegetação, e alguns buracos pareciam ter sido preparados para impedir invasores.

Frempor sugeriu que Adwig abrisse uma passagem com seus poderes.

— Esta floresta é a casa das fadas — respondeu ela. — Não posso pedir que reconheçam minha liderança depois de destruir o que preservaram durante séculos.

Continuaram a pé até serem atacados por morcegos muito maiores do que os encontrados no território dos elfos. As garras atravessavam roupas e abriam cortes com rapidez. Dois soldados caíram.

Adwig lançou uma corrente de ar de baixo para cima. O bando foi dispersado acima das árvores. Alguns animais atingiram galhos ou tiveram as asas feridas. O mesmo golpe derrubou parte da equipe e arrancou folhas do trecho ao redor.

Ela ajudou um elfo a se levantar. Evitara ferimentos mais graves, mas atingira aliados e a floresta que pretendia proteger. Cada decisão parecia cobrar um dano diferente. O problema não era escolher entre paz e violência. Era perceber o custo antes de agir.

Chegaram ao território Fortense pouco depois. O Templo Flutuante se erguia acima das árvores, sustentado sem pilares visíveis. Havia fadas por toda parte, mas nenhuma demonstrou surpresa. Mantinham as cabeças baixas e os rostos abatidos.

Drakew surgiu numa das sacadas. Era um dos quatro Krais, líderes religiosos dos Fortenses.

— Rainha Adwig, recebemos uma visitante antes de sua chegada. Ela se apresentou como Dafa, amiga de Krakor, e veio resgatar Móretar, o homem capturado por nossos fiéis.

Adwig olhou para Frempor.

— Os dois estão vivos?

— Dafa o libertou. Deixaram a floresta juntos e sem ferimentos graves.

A urgência que trouxera Adwig até ali diminuiu, mas a reação dos Fortenses ainda exigia explicação.

— O que aconteceu com seu povo?

Drakew olhou para os demais Krais antes de responder.

— Dafa nos obrigou a confessar a origem das Fadas Essenciais. Elas foram criadas por nossos antepassados como forma de unir e orientar as fadas. Não existem fora de nós como ensinávamos. Tornamos essa verdade pública.

Ele respirou antes de continuar.

— Também fomos avisados do que poderia acontecer se recusássemos sua liderança. Os Krais reconhecem Adwig como rainha de Key e oferecem cooperação para proteger o planeta.

Adwig viu naquelas palavras a mesma obediência que conseguira diante de Imantê. O medo havia chegado antes dela.

— O bem que vocês fizeram não desaparece porque seus líderes mentiram sobre a origem de uma crença — disse ao povo. — Isso também não apaga as pessoas feridas para que a mentira fosse preservada. Móretar foi sequestrado. Outros devem ter perdido o direito de escolher antes dele.

Algumas fadas ergueram o rosto.

— Vocês não precisam decidir hoje entre negar toda a própria história e continuar obedecendo sem perguntas. Precisam recuperar o direito de escolher o que permanece. Os Krais responderão pelo que fizeram, e os Fortenses decidirão se ainda querem ser conduzidos por eles.

Drakew abaixou a cabeça. O povo não reagiu de uma única maneira. Algumas fadas choraram, outras demonstraram alívio, e muitas continuaram imóveis.

— A proposta de união de Key será apresentada também aos Confes e Salvitares — continuou Adwig. — O reconhecimento dos Krais não substitui a decisão dos outros povos.

Ao deixar o centro da comunidade, Frempor se aproximou.

— A senhora acredita em tudo que acabou de dizer?

— Quero acreditar.

— Não foi isso que perguntei.

Adwig olhou para as fadas. A ferida aberta por Dafa não seria fechada por outro discurso.

— Ainda não sei.

Drakew perguntou para onde seguiriam. Ao saber que pretendiam alcançar a Península dos Coraces, ofereceu ajuda. Elevou o Templo Flutuante e abriu um grande espaço na copa das árvores. Servero lançou seu sinal, e os Pégasos vieram da praia dos Confes.

A equipe partiu em direção ao mar.

Durante a travessia, alguns elfos desceram perto da água e deixaram as patas dos Pégasos tocar a superfície. Outros imitaram a brincadeira. Adwig mergulhou com Articus, passou por trás do grupo e subiu à frente, usando o vento para lançar arcos de água sobre os demais.

Por alguns minutos, ninguém falou de epidemia, morte ou guerra.

Uma rocha atravessou o céu e atingiu um dos Pégasos antigos, trazidos de outro planeta. O cavaleiro caiu no mar. O animal morreu e desapareceu antes de alcançar a água.

Adwig saltou de Articus e resgatou o elfo ferido. Colocou-o sobre o Pégaso e avançou na direção de onde viera o ataque.

Outras pedras foram lançadas. Ela as quebrou com rajadas de ar antes que alcançassem o grupo. Na primeira muralha da Península, raios destruíram os lançadores sem atingir seus operadores. Os Coraces abandonaram as máquinas e correram.

Adwig ordenou que três deles parassem.

— Algum de vocês sabe tratar ferimentos?

Um homem ergueu a mão.

— Sou socorrista.

— Então, por favor, ajude este elfo. Ele foi atingido por uma das máquinas.

O Corace examinou o ferido, aplicou um medicamento nos cortes e usou seu poder de cura. O elfo despertou pouco depois.

Quando o restante da equipe chegou pronto para reagir, Adwig impediu qualquer ataque.

— Ele nos ajudou. Guardem as armas.

O socorrista agradeceu com um movimento da cabeça.

— Precisamos falar com o Magnata — disse Adwig. — Podem nos indicar o acesso à cidade?

Os três trocaram olhares.

— Podemos levá-los — respondeu um deles. — Mas, depois de sermos vistos ao lado de vocês, talvez não possamos mais voltar para nossas casas.

Adwig compreendeu que atravessar a primeira muralha já havia transformado aqueles homens em traidores aos olhos de seu governante.

— Ficarão sob minha proteção.

Os Coraces aceitaram guiá-los até a segunda muralha.

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