Capítulo 28 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 28 de 51
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Capítulo 28

Dircle ofereceu às duas uma pequena garrafa antes de começarem o caminho até a Fortaleza.

— Esta bebida altera os sentidos por alguns segundos. É doce quando entra, quente quando desce e faz muita gente querer outro gole antes de perceber o primeiro.

Dafa provou uma quantidade pequena e entregou a garrafa a Adwig. O sabor era suave no início e apimentado na garganta. A luz pareceu mais intensa por alguns instantes.

— Entendo por que querem repetir — disse Adwig, devolvendo-a. — Guarde antes que decidamos alguma coisa importante sob esse efeito.

Dircle obedeceu.

— Ainda podemos viver na floresta — disse Adwig a Dafa. — Passei séculos numa caverna. Não vou matar duas pessoas porque alguém colocou meu nome numa história antiga.

— Não pode fugir — respondeu Dircle. — Todos os reinos conhecem o anúncio. A profecia virá atrás de você.

— Profecias não caminham — disse Adwig. — Pessoas caminham por elas. Antes de eu chegar, vocês esvaziaram as ruas, armaram guardas e se esconderam. Se houver caos aqui, ele começou quando Elaryan ligou meu nome à história que já temiam.

Dircle pareceu pensar.

— Mas a história diz que os Reis morrerão.

— E eu digo que quero ouvi-los.

Dafa se aproximou de Adwig.

— Temos três opções. Procuramos uma saída, investigamos o que existe por trás dessa ordem ou conversamos com os Reis.

— Conversamos. Não permitirei que uma profecia decida quem merece morrer.

— Onde eles estão? — perguntou Dafa.

— Na Fortaleza nos céus. Onde Reis morariam?

Dircle explicou que a entrada ficava acima das árvores celestiais e dependia da autorização dos guardiões.

— Eles autorizarão? — perguntou Adwig.

— Claro que não. Acreditam que você vai matar os Reis.

— Então peça que transmitam uma mensagem.

— Eu só deveria apresentar o planeta. Não sou responsável pela parte do assassinato.

— Não haverá assassinato.

— Cantona também dizia isso.

Dafa esperou que ele continuasse.

— Quem era Cantona?

— Uma pessoa que não era assassina.

Dircle retomou o caminho sem oferecer outra informação.

Adwig perguntou se poderiam voar. O gnomo ficou indignado por descobrir que haviam caminhado quando as três pessoas conseguiam sair do chão.

— Aproximar-se da Fortaleza voando sem autorização será interpretado como ataque — explicou. — Agora já estamos perto. Continuamos a pé.

As ruas permaneciam vazias. Algumas pessoas observavam pelas janelas e recuavam quando Adwig olhava em sua direção.

— O anúncio fez isso? — perguntou.

— Todos querem sobreviver à chegada da Destruidora.

— Comportam-se como vítimas antes que exista agressor — disse Dafa.

As árvores celestiais surgiram adiante. Eram tão altas que a Fortaleza parecia crescer de suas copas. Paredes, raízes e galhos se uniam sem cortes visíveis.

Dez guardiões aguardavam na base da estrutura. Usavam armaduras leves e seguravam espadas e escudos. Apesar do equipamento, tremiam.

— Quero falar com os Reis — disse Adwig.

— Não permitiremos sua entrada — respondeu o mais próximo.

— Qual é seu nome?

— Vinchensu.

— Avise aos Reis que não vim matá-los. Quero descobrir por que começaram a agir como condenados antes que eu tomasse qualquer decisão.

— Minhas ordens são impedir sua passagem.

— Não pedi que desobedecesse. Pedi que transmitisse uma mensagem.

Os outros guardiões apertaram as armas. Adwig retirou o cetro reduzido. Antes que avançassem, fez uma corrente de ar passar entre os dedos deles. As dez espadas foram arrancadas ao mesmo tempo e ficaram suspensas acima do grupo.

O cetro cresceu em sua mão. A lâmina surgiu somente na extremidade voltada para cima.

Adwig devolveu cada espada ao chão, diante do respectivo dono.

— Se quisesse entrar pela força, vocês já teriam perdido. Prefiro que sejam testemunhas de que pedi uma conversa.

Vinchensu guardou a espada e entrou na Fortaleza.

— Isso foi muito menos divertido do que minha ideia — disse Dafa.

— E ninguém precisou ter medo de sangue na roupa.

Pouco depois, Vinchensu retornou.

— Os Reis autorizam a entrada das três.

— Três? — perguntou Dircle.

— Você trouxe a Destruidora. Agora também será testemunha.

O gnomo perdeu a cor por alguns segundos, mas acompanhou Adwig e Dafa pela porta.

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