Capítulo 41 — Parte 41 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 41 de 51
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Capítulo 41 — Parte 41

A torre misturava partes das histórias infantis de Adwig com algo mais escuro. As paredes passavam de azul e rosa para tons quase negros. Sob o piso transparente, nuvens se moviam devagar. No centro do quarto, uma fonte lançava água vermelha para cima; as gotas alcançavam o teto e desciam pelas paredes.

Borboletas acompanhavam o movimento da água. Separavam-se em voos rápidos e voltavam a se reunir acima da fonte.

— Borboletas? — perguntou Móretar.

— Minha simbiose — respondeu Adwig. — Não é uma única borboleta. É uma família.

Dafa observou a composição criada pelo Palácio.

— Ele conseguiu mostrar uma parte sua que você quase nunca deixa aparecer.

Adwig soltou a primeira peça da roupa sem desviar os olhos dos dois.

— Eu ainda quero continuar. Vocês?

Dafa se acomodou numa poltrona diante dela.

— Quero ver primeiro.

Móretar se aproximou sem esperar que Dafa lhe dissesse o que fazer. Tocou Adwig com cuidado no início, ainda como se temesse que qualquer movimento pudesse encerrar a noite. Ela puxou seu rosto e transformou a hesitação num beijo.

A suavidade durou pouco. O corpo de Adwig respondia ao contato com mudanças de temperatura e pequenas descargas que percorriam a pele sem ferir. Móretar descobriu cada reação pelo modo como ela o segurava, pela respiração e pelos sons que já não tentava conter.

Dafa retirou a própria roupa enquanto observava. Não escondia o prazer que sentia ao vê-los, e Adwig gostava de saber que era vista por ela.

Móretar desceu pelo corpo de Adwig. Quando a boca dele a alcançou, ela arqueou as costas e agarrou o tecido sob as mãos. A intensidade cresceu até que o prazer desorganizou qualquer tentativa de silêncio.

Ele voltou a beijá-la. Adwig o puxou para mais perto e o recebeu dentro de si. Encontraram um ritmo apressado, menos preciso do que desejavam e mais urgente do que haviam imaginado. Chegaram ao limite com poucos movimentos de diferença e permaneceram abraçados enquanto recuperavam o ar por hábito.

Dafa se levantou e beijou os pés de Adwig, subindo devagar pelas pernas.

— Agora eu quero você — disse.

Adwig puxou-a para cima e as duas se beijaram. Móretar permaneceu próximo, observando até Dafa procurar sua mão e levá-la ao próprio corpo.

Ela olhou para ele antes de mudar de posição.

— Venha.

Móretar entrou na relação por trás dela, e o impulso levou Dafa contra Adwig. As três respirações perderam qualquer ordem. Dafa alternava beijos e movimentos entre os dois, sem transformar nenhum deles em espectador por muito tempo.

Adwig tocou duas vezes a própria têmpora.

Dafa abriu o caminho mental. Desejo, calor e prazer atravessaram a ligação, mas os pensamentos permaneceram fechados até que cada um decidisse oferecê-los. A sensação de experimentar parte do corpo dos outros ampliou tudo que já sentiam no próprio.

Não houve organização suficiente para saber por quanto tempo continuaram. Trocaram posições, ritmos e iniciativas. Em alguns momentos, um deles apenas observava; em outros, os três pareciam incapazes de distinguir onde terminava uma sensação e começava a seguinte.

Quando o cansaço venceu, Adwig permaneceu deitada de costas, olhando as borboletas sobre a fonte.

Mantelar surgiu em seu pensamento antes que pudesse evitar.

Dafa percebeu a mudança em seu rosto. O canal mental já estava fechado.

— Pensou nele?

— Pensei.

— Foi uma decisão ruim?

— Foi uma decisão sem prudência. Não é a mesma coisa. Eu quis esta noite e continuo precisando encontrar Mantelar.

Móretar se aproximou, mas parou antes de tocá-la.

— Quer ficar sozinha?

— Não. Só não quero que um abraço tente responder alguma coisa.

— Então não responde — disse ele. — É apenas um abraço.

Adwig consentiu. Móretar deitou-se ao lado dela. Dafa ocupou o outro lado e apoiou uma perna sobre as duas. O contato não resolveu nenhum vínculo, mas voltou a ser escolhido depois que a urgência passou.

Adormeceram assim.

Quando Dafa acordou, Móretar ainda dormia. Adwig estava no closet, escolhendo outra roupa entre peças que o Palácio apresentava.

— Dormiu bem? — perguntou Dafa.

— Dormi. Não acordei com arrependimento. Acordei com perguntas.

— Eu também. Podemos não responder todas hoje.

Adwig escolheu uma composição diferente da noite anterior. Dafa criou outra para si, mantendo apenas um detalhe semelhante entre as duas.

— Ainda combinando? — perguntou Dafa.

— O suficiente para lembrar. Não o bastante para fingir que somos iguais.

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