Capítulo 48 — Paradise Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 48 de 51
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Capítulo 48 — Paradise

Adwig se ajoelhou ao lado de Médera. Não encontrou pulsação. Krakor e Teleret também estavam mortos. Sarilyan permanecia caída perto da entrada do circo, com uma das mãos estendida na direção de Steve.

A consciência viral se moveu sob a pele de Adwig quando ela tocou a mãe. Não tentou alcançar o outro corpo. O limite estabelecido no Palácio continuava valendo fora dele.

Ela levou a mão atrás da orelha e ativou a Jupera.

— Juper.

A resposta demorou alguns segundos.

— Adwig? Onde você está?

— Em Nordok. Os corpos morreram. O marcador passou pela rede antes da ruptura.

— Há pessoas renascendo em Paradise. Muitas. Não consigo contar.

Adwig fechou os olhos e voltou a respirar.

— Encontre Sarilyan. Ela precisa receber o próprio povo.

— Já apareceu. Seus pais e Teleret também. Venha para cá.

Adwig olhou para Steve e Nortforth.

— Procure os dois em outros planetas. Eles morreram antes do soro.

Juper não prometeu encontrá-los.

Adwig se teletransportou.

Ao chegar a Paradise, Adwig encontrou uma planície coberta por pessoas nuas, confusas e famintas. Algumas gritavam os nomes de familiares; outras se afastavam de qualquer toque. Além das colinas havia acampamentos de povos transferidos e cidades que já pertenciam aos seres alados. O planeta não estava vazio à espera dos elfos. Eles haviam renascido dentro de uma população reunida às pressas e de um conflito que começara antes de sua chegada.

Juperas corriam entre grupos, levando informações. Elfos da resistência improvisavam pontos de reunião com tecidos, pedras e marcas no chão.

Sarilyan vestia uma manta presa ao ombro. Já havia organizado três filas: quem procurava alguém, quem precisava de atendimento e quem conseguia ajudar. Primordiais permaneciam de um lado; Supremos se reuniam do outro, ainda procurando nas próprias mãos a energia acumulada que os novos corpos não possuíam.

Ela tocou o solo. A terra se elevou alguns centímetros e parou. Sarilyan tentou alcançar as camadas abaixo, mas retirou a mão.

— Existe uma força envolvendo este planeta. Não consigo entrar nela nem alterar o que mantém Paradise onde está. Trabalharemos apenas com a matéria próxima e com a energia que estes corpos conseguem oferecer.

— Steve e Nortforth? — perguntou quando viu Adwig.

— O marcador ainda não existia quando morreram.

Sarilyan apertou a manta contra o corpo.

— Então podem ter ido para qualquer lugar.

— Sim.

Sarilyan baixou a cabeça por um momento. Depois chamou Dárion e retomou o trabalho. Pediu a Juper acesso às rotas entre os planetas do Cinturão, dividiu os recém-chegados por regiões de Nordok e recusou a sugestão de que todos aguardassem uma decisão de Adwig.

— Eles conhecem minha voz — disse. — Vão ouvir as opções e escolher onde se reunir.

Adwig concordou. Não desejava outra coroa, principalmente sobre um povo que acabara de recuperar o direito de discordar.

Um Supremo exigiu que Sarilyan reassumisse o título e conduzisse seu povo para longe dos Primordiais. Dárion respondeu que nenhuma família voltaria a sustentar o despertar deles.

Sarilyan retirou do pescoço a peça que indicava sua linhagem e a colocou no chão.

— Esta peça servirá de âncora para começarmos. Depois será retirada. Precisamos de água, abrigo, busca e defesa. Cada tarefa terá uma formação própria. Ninguém entregará energia a todas apenas porque tocou uma delas.

Ela abriu quatro marcas ao redor da peça. Dárion se posicionou junto à água. O Supremo escolheu o abrigo e conduziu a própria contribuição para uma elevação afastada dos Primordiais. Outras pessoas se aproximaram das funções que aceitavam sustentar.

A terra começou a se mover. Pedras seguiram para a elevação dos Supremos; outras formaram uma parede baixa perto dos Primordiais. Quando os dois grupos tentaram retirar material do mesmo ponto, as construções perderam altura e se afastaram uma da outra. Nenhum dos lados possuía energia suficiente para impor a forma anterior.

Na formação da água, as direções encontraram maior acordo. Dárion conduziu a abertura de um sulco. Dois Supremos localizaram umidade sob as pedras e ajudaram a elevar o líquido. O canal alcançou as duas áreas de abrigo antes de encher uma depressão no centro.

Um elfo idoso tentou contribuir e não moveu sequer um grão. O novo corpo não lhe devolvera a energia retirada durante séculos. Leria encheu uma vasilha no canal e entregou-a a ele. Outros que não haviam conseguido alterar o solo se aproximaram, e ela continuou distribuindo água sem perguntar o que cada um oferecera.

— Sem uma âncora permanente, essas formas cairão — disse o Supremo.

— As pessoas ligadas a cada formação decidirão quem coordena a tarefa e por quanto tempo — respondeu Sarilyan. — Se ninguém quiser continuar, a forma termina. Minha linhagem não vai mantê-la contra quem retirou a própria contribuição.

Uma menina chamou pela mãe perto da fila de atendimento. Sarilyan reconheceu o nome da região de onde vinham e enviou Dárion para procurá-la entre os grupos novos. Em seguida, retirou a própria manta e entregou-a a um homem que tremia.

Leria atravessou a fila chamando Aren. Dárion consultou as placas e encontrou o nome do menino entre os renascidos próximos às colinas. Quando o trouxeram, Leria caiu de joelhos e apertou o filho contra o corpo. Aren perguntou se ainda carregavam o vírus.

— Não — respondeu ela. — E ninguém escolheu sua morte sem procurar um caminho para você voltar.

Leria levou o filho até o canal. Continuava sem agradecer pela decisão de Adwig e sem fingir que o medo defendido em Nordok havia desaparecido.

Krakor surgiu entre duas fileiras e apertou Adwig contra o peito. Médera abraçou os dois. Teleret chegou depois, ainda tentando descobrir por que renascera tão longe da irmã, e recebeu um golpe no ombro por ter demorado.

— Eu estava morto — reclamou.

— Você sempre encontra uma explicação.

Dircle atravessou a multidão saltando sobre cabeças e ombros.

— Minha senhora procurou Dircle?

— Procurei.

Ele se jogou no pescoço dela.

— Dircle é o ser mais feliz do Universo.

Adwig o segurou com cuidado. Só então percebeu que ainda procurava outro rosto entre os recém-chegados.

Um lobo enorme correu pela planície, desviando das pessoas. Parou diante de um grupo de gnomos e voltou para buscá-los quando dois ficaram para trás. Depois conduziu todos até Dircle.

O corpo do animal mudou. As patas se tornaram braços, o focinho recuou e Mantelar apareceu diante dela.

Adwig perdeu a força das pernas.

Ele a observou no chão.

— Eu esperava uma recepção melhor.

— Você virou lobo.

— Começar perguntando se estou bem continua sendo uma possibilidade.

Adwig se levantou e o abraçou. Mantelar a ergueu, mas logo tornou a colocá-la no chão quando percebeu que ela chorava.

— Eu não esqueci você — disse Adwig. — Adiei sua procura porque não sabia quem encontraria. Nem sabia quanto de mim voltaria de Zen.

Mantelar deixou o sorriso desaparecer.

— Encontrou alguém que continuou vivendo.

— Eu também continuei. Houve Dafa. Houve Móretar. Houve coisas que ainda preciso conseguir contar.

Ele segurou o rosto dela.

— Então você conta. Não vou pedir que transforme o que viveu numa versão mais fácil para mim.

Adwig o beijou. Quando se afastaram, Mantelar manteve as mãos na cintura dela.

— Isso não resolveu nossa conversa.

— Eu não esperava que resolvesse.

Adwig tocou o peito dele.

— E a simbiose?

— Encontrei os lobos quando eles retiravam sobreviventes de uma zona atacada pelos anjos. Eu estava ferido e precisava atravessar uma área que nenhum homem conseguiria cruzar a pé. O alfa ofereceu o vínculo. Perguntou antes, explicou o que eu dividiria com o animal e deixou que eu recusasse.

— Por isso aceitou.

— Aceitei porque queria viver e porque nenhum deles tentou chamar obediência de proteção.

Adwig olhou para os lobos que continuavam trazendo sobreviventes. Mantelar acompanhou o olhar e depois reparou no braço dela.

— Há alguma coisa com você.

— O vírus permaneceu. Uma única consciência. Estava espalhada por todos e se concentrou em mim.

Mantelar retirou a mão.

— Ele pode entrar em outra pessoa?

— Não sem quebrar o acordo. Se tentar, eu o expulso, mesmo que isso me mate.

— Essa parte da conversa não terminou.

— Eu sei.

Sarilyan chamou Adwig. Um grupo de elfos desaparecera perto das colinas. Rastros terminavam em marcas profundas no solo, e sombras cruzavam as nuvens.

Mantelar assumiu novamente a forma humana.

— Procure Dafa e Móretar quando isso terminar.

— Eu vou procurar.

— E depois nós quatro vamos conversar. Não transforme meu amor numa desculpa para decidir sozinho o que eu consigo ouvir.

Adwig assentiu.

Um ser alado desceu sobre a planície, agarrou um dos recém-renascidos e voltou a subir. Outros surgiram atrás dele. Vestiam metais claros e carregavam armas finas, construídas para atravessar o peito.

— Devolvam-no — ordenou Adwig.

— Paradise não pertence aos que chegaram hoje — respondeu o ser. — Estamos retirando o que nunca deveria ter sido trazido.

Médera abriu o tridente. Krakor assumiu posição ao lado dela. Mantelar voltou à forma de lobo e correu para alcançar o elfo capturado antes que desaparecesse entre as nuvens.

Adwig atingiu o agressor com o cetro. Ele sumiu, deixando o prisioneiro cair. Mantelar saltou, recebeu o elfo sobre o dorso e o devolveu ao chão.

Portais se abriram ao redor da planície. Vampiros, lobos, dragões e outros sobreviventes chegaram quando Juper transmitiu o ataque. Os seres alados responderam em formação, empurrando os recém-renascidos para longe dos grupos que tentavam protegê-los.

Sarilyan não deixou seu povo correr sem direção. Dividiu os combatentes dos que buscavam abrigo e manteve os nomes das pessoas desaparecidas circulando entre as Juperas.

Um novo clarão cortou o céu.

Os atacantes recuaram e formaram duas linhas. Entre elas desceu um homem de asas abertas. O pouso quebrou o chão e derrubou quem estava perto.

Ele observou os elfos, os lobos, os vampiros e as criaturas que ainda saíam dos portais.

— Eu sou Gabriel — declarou. — Paradise foi reservado aos dignos. Os demais serão expulsos ou servirão àqueles que merecem permanecer.

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