Capítulo 43 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 43 de 51
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Capítulo 43

Elaryan ouviu as perguntas se acumularem sem demonstrar pressa para responder. Athos queria conhecer as três frentes antes de permitir que alguém partisse. Emma exigia saber quem estava preso com André. Adwig perguntara por Morpheu e pelos contaminados. Outros tentavam descobrir quanto tempo ainda possuíam.

— Vocês imaginam como é, para mim, conhecer pontos tão distantes e ainda precisar atravessar cada parte do caminho? — perguntou Elaryan. — Estamos próximos. Isso não significa que já chegamos.

— E não significa que estamos do seu lado — respondeu Athos. — Nossos objetivos podem se encontrar. Seus métodos continuam sendo seus.

Elaryan sorriu para ele.

— Pense assim enquanto puder. Usem o Palácio como base. Fóster já está no Cinturão dos Planetas da Salvação. As pessoas que desejarem proteger podem ser reunidas aqui.

— O Palácio não será usado sem as restrições que acabei de impor — disse Adwig. — Os canais capazes de sugerir desejos continuarão desligados. As saídas permanecerão abertas, e ninguém ficará responsável sozinho por dizer se a casa voltou a ser segura.

— É sua casa.

— Exatamente.

Elaryan não discutiu. Disse apenas que ainda precisava resolver outras partes da convergência e que eles receberiam ajuda. Depois desapareceu.

Krakor esperou alguns segundos. Talvez ela voltasse apenas para irritá-lo.

— Eu não suporto essa mulher.

— Isso não resolve nenhuma das três guerras — disse Athos.

— Mas melhora um pouco o ambiente.

Emma e Raquel foram verificar se o desaparecimento de Elaryan provocara alguma reação no Palácio. Hermes permaneceu no bloqueio técnico. Athos pediu que todos se reunissem no salão principal, mas Adwig o interrompeu antes que começasse a formar equipes.

— Primeiro as informações.

— Foi o que eu exigi dela.

— Estou exigindo de você também.

Athos assentiu.

— Não será necessário esperar — disse um homem que acabava de entrar.

Krakor abriu os braços.

— Juper?

— Não é seu bisavô.

Os dois se abraçaram. Krakor riu da resposta antes de lembrar que já havia descoberto parentescos demais nos últimos dias.

Juper explicou que estivera em Nordok, onde uma inteligência artificial assumira máquinas, comunicações e sistemas de transporte. Qualquer tentativa de abrir um portal poderia oferecer à rede a forma de sair do planeta. Ele ficara isolado até o sistema começar a falhar.

— Foi quando Elaryan encontrou você? — perguntou Krakor.

— Foi quando ela decidiu que já podia me retirar de lá sem entregar o teletransporte às máquinas.

— Ela sempre aparece depois que alguém faz a parte difícil.

— Não foi ela quem derrubou o sistema — respondeu Juper. — E ele ainda não caiu por completo.

Athos pediu que explicasse o que sabia. Juper projetou três mapas sobre uma mesa. Um mostrava Nordok e os deslocamentos de dois exércitos élficos. Outro reunia os planetas onde vampiros, lobos e seres alados se aproximavam de Paradise. O terceiro seguia André entre forças ligadas a Zeus, Poseidon e Hades.

— Não vou escolher pessoas e afastá-las para contar apenas a parte que julgo necessária — disse Juper. — Cada frente tem informações incompletas. Quem partir precisa saber disso.

Athos olhou para Adwig.

— Melhor.

Juper indicou Nordok. Elfos Primordiais haviam passado séculos dominados por máquinas. Depois de libertos, foram submetidos ao vírus de Morpheu. Do outro lado, Elfos Supremos drenavam energia de outros seres para sustentar uma vida desperta longe do mundo de sonhos.

— Os dois lados mantêm pessoas presas — concluiu Adwig.

— E ambos acreditam que a própria sobrevivência justifica isso — respondeu Juper. — Há uma resistência tentando desligar a rede tecnológica. Se conseguir, Morpheu perderá parte da estrutura que protege seus contaminados.

Adwig não precisou perguntar por que ele a olhava.

— Eu conheço outro vírus. Isso não me torna resposta para qualquer organismo que exista.

— Torna sua experiência útil. O restante ainda precisa ser descoberto.

Krakor declarou que iria com ela. Médera fez o mesmo.

— Não porque vocês decidiram por mim — disse Adwig.

— Não — respondeu Médera. — Porque também temos ligação com o que começou em Nordok, e porque eu escolhi não perder outra filha enquanto procurava respostas em outro lugar.

Dircle saltou sobre o ombro de Adwig.

— O Deus Urano pediu que Dircle protegesse a Disseminadora do Caos. Mas Dircle continuaria mesmo se ele retirasse a ordem.

— Você acabou de acordar — disse Adwig.

— A recuperação de Dircle demora. Depois disso, sua energia também demora a acabar.

Teleret se aproximou.

— Eu vou.

Adwig examinou o irmão. Pouco antes, ele queria permanecer no Palácio para sempre.

— Saia primeiro.

— O quê?

— Atravesse uma das portas, afaste-se da casa e fique algum tempo lá fora. Depois decida de novo.

Teleret pareceu ofendido, mas obedeceu. Saiu pela entrada principal e caminhou até desaparecer entre as árvores de Fóster.

Juper passou ao segundo mapa. Drácula reuniria vampiros, enquanto outras equipes tentariam impedir que a disputa com os lobos entregasse todos os sobreviventes aos seres que se consideravam mais próximos de Deus. Athos, Emma e outros escolheram contribuir naquela frente depois de conhecer os riscos.

O terceiro mapa levou André para o centro da discussão. Juper não falou em salvá-lo. Explicou que Zeus, Poseidon e Hades tentavam absorver pessoas e reunir armas que seriam necessárias mais tarde. André conhecia aqueles inimigos e já estava impedindo que o confronto terminasse como desejavam.

Móretar decidiu voltar à frente de Inc. As fadas ainda enfrentavam Odin, e a ruptura aberta ali ameaçava destruir mais que corpos. Dafa o acompanharia.

Quando as escolhas terminaram, Juper mostrou uma pequena aranha sobre a mão.

— As Juperas são filhas de Arakira, minha simbiose. Quando ativadas, conseguem transmitir o que escutam e levar minha voz até quem as carrega. Não entram na mente nem mantêm o canal aberto depois do uso. Quem aceitar pode levar uma. Quem não aceitar continuará com os outros meios.

Adwig estendeu o braço. A Jupera caminhou até seu pulso e se escondeu atrás da orelha. Krakor pediu duas, recebeu uma e reclamou que o amigo desconfiava dele. Médera aceitou outra. Dircle tentou conversar com a sua antes mesmo de ela encontrar onde ficar.

Teleret voltou depois de algum tempo.

— Ainda quero ir.

— Por quê?

— Porque você vai precisar de ajuda. Porque Nordok também faz parte da história de nosso pai. E porque ficar aqui não impediria o que está chegando.

— O Palácio sugeriu alguma dessas respostas?

— Não. Lá fora eu consegui lembrar por que gosto de ir embora dos lugares.

Adwig aceitou.

Dafa se aproximou antes da partida. Não havia tempo para definir a noite anterior, e talvez nenhuma definição feita naquele salão sobrevivesse ao que enfrentariam.

— Não vou dizer que a imagem de Athos garante que você volta — disse Dafa. — Só vou dizer que pretendo encontrar você de novo.

Adwig a beijou.

— Eu também pretendo.

Móretar permaneceu diante dela sem saber se outro beijo seria despedida, promessa ou repetição da imprudência.

— Boa sorte — disse Adwig, tocando o rosto dele.

— Para você também.

Ela o beijou sem prolongar o momento até que parecesse uma resposta. Depois se afastou dos dois.

Juper abriu o portal. Adwig atravessou com Krakor, Médera, Teleret e Dircle.

Do outro lado havia uma cidade de prédios altos, vias suspensas e veículos parados no ar, à espera de uma ordem que não chegava. Luzes continuavam acesas em milhares de janelas. Jardins artificiais cresciam sobre as fachadas, disciplinados por desenhos repetidos.

Não havia ninguém nas ruas.

— Bem-vindos a Nordok — disse Juper. — Não confiem no silêncio.

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