Capítulo 7 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 7 de 51
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Capítulo 7

Silency foi a primeira a se aproximar. Ajoelhou-se ao lado de Teleret e colocou a mão sobre a testa dele. Uma luz percorreu seus dedos, desceu pelo rosto e alcançou o peito atravessado pela espada.

Ela tentou outra vez. Depois retirou a mão e se afastou.

Adwig continuou no chão, com o irmão nos braços. Mantelar permanecia de joelhos ao lado dos dois. Sussurro e Trovar aguardavam perto da porta quando Athos chegou.

— Você disse que tentaria voltar antes que eu precisasse — falou Adwig, sem olhar para ele.

— Voltei assim que compreendi a visão. Não vi Teleret. Se tivesse visto, teria tentado impedir. Sinto muito.

— Então suas imagens não sabem quando eu preciso de você.

Athos não respondeu.

— Quero que vocês vão embora.

Silency deu um passo na direção dela, mas parou.

— Adwig... — começou Athos.

— Sumam daqui, agora.

Os quatro partiram. Mantelar ficou.

Teleret nascera em Key e nunca havia morrido. Na primeira morte, o corpo permanecia; era a partícula cerebral que seguia para outra vida. Adwig conhecia a regra. Conhecê-la não tornava mais fácil aceitar o peso do irmão em seus braços.

Quando conseguiu se levantar, foi até uma sala onde eram guardados materiais antigos do Palácio. Encontrou o recipiente que procurava e voltou com um pó fino. Espalhou-o sobre Teleret e ativou o feitiço.

O corpo começou a se desfazer numa fumaça rosa. O ritual só funcionava em corpos sem vida. Era a prova definitiva de que Teleret não voltaria àquele corpo.

Adwig esperou até o fim.

Ao sair do Palácio com Mantelar, encontrou uma multidão diante dos portões. A notícia da morte dos reis já havia atravessado a cidade. O povo abriu caminho até o Monumento do Discurso, onde a estátua de Krakor se erguia sobre a praça.

Adwig subiu. Não tivera tempo de decidir o que dizer, mas todos aguardavam uma resposta.

— Farmer matou meu irmão. Eu matei Farmer e Elena.

O murmúrio começou nas primeiras fileiras e se espalhou.

— Não vou esconder nenhuma dessas mortes nem chamá-las de justiça. Também não permitirei que os Gigantes continuem morrendo enquanto discutimos quem deveria ajudá-los.

Algumas pessoas desviaram os olhos. Outras olhavam para ela com uma atenção que se aproximava da devoção.

— Assumo hoje a liderança dos reinos de Key. Os povos continuarão governando seus territórios, mas nenhuma fronteira servirá de desculpa para abandonar outro povo do planeta. Em quinze Keynes, quero curandeiros, pesquisadores, cultivadores, transportadores e voluntários preparados para partir ao Vale dos Gigantes.

Adwig deixou o aviso seguinte sair sem reduzir sua dureza.

— Quem impedir o envio de ajuda responderá diante de mim.

Esperava resistência. Recebeu uma ovação.

O som a incomodou mais do que teria admitido. Não sabia se celebravam a união de Key, a morte dos governantes ou a ameaça que acabara de fazer. Talvez cada pessoa tivesse escolhido um motivo diferente.

Antes da metade do prazo, mais de cinquenta elfos haviam se apresentado. Vieram soldados, curandeiros, pesquisadores, cultivadores, cozinheiros e responsáveis pelo transporte de mantimentos. Frempor, comandante dos soldados do reino, organizou a equipe.

Restava atravessar a distância até o Vale.

Um elfo coberto de lama pediu a palavra.

— Se me permitir, majestade, posso ajudar. Meu nome é Servero.

Adwig concordou.

Servero lançou um sinal de luz ao céu. Pouco depois, dezenas de Pégasos surgiram acima da cidade. Articus vinha à frente. A visão dos animais arrancou aplausos e facilitou o transporte da equipe e dos suprimentos.

Quando chegaram ao Vale, encontraram ruas vazias, construções danificadas e portas fechadas. A pira usada para queimar os mortos estava apagada. Não havia corpos ao redor.

— Viemos ajudar — gritou Adwig. — Se houver alguém aqui, peço que venha falar conosco.

Alguns Gigantes espiaram pelas frestas. Um deles saiu usando um elmo que cobria parte do rosto.

— Se vieram levar o pouco que nos resta, deveriam ter trazido mais soldados. Ainda podemos derrubá-los.

— Não viemos tomar nada.

— Então por que demoraram? O que os elfos tinham para fazer que era mais importante do que todas as vidas perdidas?

Adwig sustentou o olhar dele.

— Nada era mais importante. Tomei o Palácio para conseguir mobilizar meu povo, mas isso explica a demora. Não a desfaz.

Outros Gigantes começaram a sair. Usavam elmos semelhantes, construídos para diminuir o contágio e retardar os sintomas. Haviam conseguido reduzir a dor, mas continuavam morrendo. A comida também estava acabando.

— Tragam uma pessoa doente — pediu Adwig.

Depois de alguma hesitação, dois Gigantes conduziram um homem coberto de feridas. Os curandeiros o acomodaram num banco, controlaram a dor e recuperaram parte dos tecidos comprometidos. A doença continuou avançando.

Mantelar abriu os registros do laboratório e mostrou a Adwig as alterações que encontrara em todos os doentes. Krakor havia enfrentado uma doença semelhante nos primórdios de Key, identificando os organismos invasores e destruindo-os sem atingir o restante do corpo.

Adwig fechou os olhos. Procurou no Gigante o mesmo desenho registrado por Mantelar. No início, sentiu calor, sangue, células danificadas e incontáveis organismos misturados. Aos poucos, distinguiu o que pertencia ao corpo do que se reproduzia contra ele.

Destruiu o primeiro foco. Depois outro.

Os curandeiros mantiveram o paciente estável enquanto ela avançava. Mantelar comparava cada mudança com os registros e a avisava quando a atividade do vírus diminuía.

Quando Adwig terminou, o Gigante respirava melhor. Os curandeiros fecharam as feridas que o organismo agora conseguia sustentar.

— Tragam os outros.

Dezenas de doentes foram conduzidos à praça. Adwig repetiu o processo em cada um. Perdeu a noção do tempo. Quando seus braços começaram a tremer, os curandeiros repuseram parte de sua energia. Mantelar organizou os casos mais graves e impediu que ela avançasse antes de conferir os resultados.

O último grupo quase a fez desmaiar. Adwig precisou se sentar entre dois pacientes e continuar sem abrir os olhos. Quando já não encontrou sinais do vírus em nenhum deles, deixou que os curandeiros confirmassem três vezes antes de anunciar a cura.

O alívio se espalhou pela praça. Famílias se abraçaram, algumas chorando por quem sobrevivera e por quem não alcançara aquele dia.

No meio dos curados, um Gigante tentou se manter afastado. Os outros o reconheceram.

Era Armerer, o Guerreiro Guardião dos Gigantes.

O silêncio que se formou ao redor dele não tinha gratidão.

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