Capítulo 38 — Parte 38 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 38 de 51
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Capítulo 38 — Parte 38

Hermes distribuiu roupas e sugestões num salão cercado por espelhos. Móretar observava uma composição azul-escura e vinho, com detalhes dourados que lembravam tanto a liderança em Inc quanto os símbolos das fadas.

— Posso ajustar a gola? — perguntou Hermes.

Móretar afastou-se do espelho e corrigiu o tecido com as próprias mãos.

— Pode dizer o que está errado. Quero descobrir se consigo resolver sem ser vestido como Rei por outra pessoa.

— Não está errado. Está torto.

Móretar refez a dobra. A Excalibur permaneceu visível nas costas.

— Melhor — admitiu Hermes.

Krakor rejeitou o traje vermelho que recebera e mudou o corte antes que o anfitrião pudesse protestar. O exemplo bastou. Outros convidados alteraram cores, acessórios e tecidos até que a preparação deixasse de parecer uma coleção planejada por uma só pessoa.

Adwig escolheu uma roupa que recuperava elementos do visual criado em Percento, adaptados ao baile. Dafa fez o mesmo sem repetir exatamente a composição dela.

Hermes anunciou que a abertura teria uma dança de exibição para quem desejasse participar.

— Não vou formar pares — acrescentou, depois de olhar para Adwig. — Organizem-se e me avisem quantas pessoas querem orientação.

Médera convidou Krakor. Ele aceitou com um sorriso surpreso.

— É uma dança — avisou ela. — Não uma restauração automática do nosso casamento.

— Eu sei.

Dafa decidiu que dançaria com Adwig depois da abertura e foi ajudar outros convidados a escolher roupas sem aceitar a autoridade estética de Hermes.

Móretar se aproximou de Adwig.

— Aceita fazer a dança de abertura comigo?

Ela olhou para Dafa, que levantou a mão como quem lembrava que a própria dança continuava prometida.

— Aceito uma dança — respondeu Adwig. — Também preciso encontrar Mantelar, e nós dois temos outras conversas pendentes.

Móretar compreendeu a referência às experiências anteriores dele com Médera e Dafa.

— Uma dança, então. Sem fazer dela uma promessa.

— Sem promessas que ainda não podemos cumprir.

Outras pessoas se ofereceram para a abertura sem que a quantidade formasse casais obrigatórios. Alguns dançariam em dupla, outros em pequenos grupos e alguns entrariam ou sairiam durante a música.

Os portões foram abertos. Alimentos e bebidas circulavam em bandejas guiadas por correntes discretas de energia. O salão recebia mais pessoas sem parecer lotado.

Krakor chamou Hermes.

— Como cabe tanta gente aqui?

— Fóster possui uma fonte de energia muito antiga e abundante — explicou. — Ela não é infinita. Precisa de catalisadores e perde estabilidade quando alguém tenta extrair mais do que a estrutura suporta.

— Você é o catalisador.

— Para as casas, sim. Durante a criação, uso a imagem de lar oferecida pelo futuro morador e as associações ligadas a ela. Não recebo acesso irrestrito à mente. Transformo aquele conjunto em instruções para o planeta.

Adwig observou o salão se expandir.

— Isto é uma mudança posterior?

— Não. A capacidade de receber convidados e ampliar as áreas públicas foi definida quando organizamos a festa. É uma função já autorizada.

— E as casas realizam qualquer vontade do dono? — perguntou Krakor.

Hermes pensou antes de responder.

— Respondem ao que a pessoa entende como lar, conforto e proteção. Funções automáticas podem adaptar espaço, luz, temperatura, alimentos e defesas. Criar uma função nova exige outra autorização.

— A casa pode fazer alguém querer ficar? — perguntou Adwig.

— Pode tornar a permanência confortável e responder ao que você entende como proteção.

— Isso não responde à pergunta.

Hermes olhou para as portas.

— Uma casa mal construída pode confundir proteção com retenção. Já aconteceu em Fóster.

— Então registre isto: ninguém será impedido de sair, e o palácio não alterará o desejo de quem entrar.

— Registrado.

— Nem mesmo se eu pedir algo que pareça contradizer essa ordem sem perceber.

— Esse limite terá prioridade.

Hermes contou que Elaryan o incumbira de guardar Fóster depois que outros catalisadores tentaram usar a fonte para finalidades maiores do que podiam controlar. Ele aceitara a função por conhecer os riscos, não por receber autoridade sobre os moradores.

A música começou. Os participantes da abertura seguiram para a área central sem que ninguém fosse empurrado para um papel. Adwig caminhou ao lado de Móretar, consciente de que aceitara apenas aquela dança e de que o palácio ouvira, com clareza, o direito de qualquer pessoa partir.

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