Capítulo 39 — Parte 39 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 39 de 51
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Capítulo 39 — Parte 39

Adwig caminhou com Móretar em direção à pista central. O lugar parecia próximo, mas a distância não diminuía. O chão se inclinava de modo quase imperceptível, e o salão alongava o percurso enquanto mantinha toda a festa visível.

Ela parou.

— Quero um caminho direto até a pista.

A inclinação desapareceu. Uma passagem curta se abriu entre duas colunas.

Móretar olhou para o corredor anterior, ainda visível atrás deles.

— Pelo menos ele ouviu.

— Quero ter certeza de que continuará ouvindo quando meu desejo for ir embora.

Seguiram pela nova passagem. Instrumentos tocavam sem músicos ao redor, conduzidos pelas funções que Hermes autorizara para a festa.

— Nunca ouvi música organizada assim — disse Móretar. — Em Inc, até as criações das fadas dependiam de alguém sustentando cada alteração.

A referência mudou seu semblante.

— Trouxe alguma lembrança ruim? — perguntou Adwig.

— Muitas. Também trouxe meus pais, minha irmã e tudo que ainda quero mostrar a eles. Algumas lembranças doem porque continuam ligadas ao que eu desejo recuperar.

— Teleret preferiu descansar. Depois da prisão, uma festa desse tamanho seria outra forma de confinamento.

— Fez bem.

Dafa os alcançou com duas bebidas e uma pequena bandeja de alimentos.

— Antes que vocês transformem a caminhada numa sessão de melancolia, comam.

Entregou a Adwig uma bebida doce e pouco alcoólica. Móretar ficou com outra semelhante.

— Nenhuma surpresa venenosa? — perguntou ele.

— Só descobriremos depois.

Dafa seguiu para ajudar Hermes perto da área de abertura.

Adwig e Móretar provaram a comida enquanto observavam os convidados entrarem. Ele comentou que Krakor havia recomendado usar seus poderes para chamar as bandejas, mas preferira pedir.

— Ter poder não obriga ninguém a usá-lo para tudo — disse Adwig.

— Dafa discordaria.

— Dafa usa poder para evitar levantar quando alguma coisa está ao alcance de dois passos.

Os dois riram.

Quando chegaram à pista, Móretar abandonou o assunto leve.

— Existe alguma coisa entre nós ou o salão decidiu isso antes da gente?

Adwig demorou apenas o necessário para não transformar surpresa em recusa.

— Existe atração. Isso não significa que eu esteja pronta para oferecer uma relação.

— Por causa de Mantelar?

— Também. Preciso encontrá-lo e contar o que vivi. Houve outros vínculos depois que nos separamos, e os detalhes não pertencem somente a mim.

Móretar assentiu.

— Eu também não deveria oferecer nada antes de conversar com Dafa e Médera. O que aconteceu com cada uma foi diferente, mas não foi irrelevante.

— Nenhuma delas decidiu por nós só porque já esteve conosco.

— Nem nós podemos decidir por elas.

Adwig olhou para a área marcada para a abertura.

— Então podemos dançar sem fingir que a dança resolveu o restante.

— Podemos tentar. Eu não sei dançar.

— Eu também não.

Hermes chamou os participantes e explicou a orientação. Linhas luminosas indicariam os passos; mudanças na música marcariam giros e pausas; correntes de ar poderiam sustentar elevações apenas depois de um sinal dos dois parceiros.

— Se quiserem desligar a orientação, basta dizer livre — explicou.

Adwig tocou duas vezes o ombro de Móretar.

— Se eu fizer isto, paramos mesmo que a música continue.

— O mesmo vale para você.

Começaram pelos passos mais simples. Erraram a primeira mudança de direção, riram e retomaram sem que o Palácio corrigisse seus corpos. Quando a música parou para dar início à apresentação, Adwig ainda tinha medo de dançar diante da multidão.

Ao menos o medo continuava sendo dela, assim como a decisão de permanecer na pista.

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