Capítulo 37 — Parte 37 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 37 de 51
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Capítulo 37 — Parte 37

Hermes ouviu a palavra baile antes de entrar no salão.

— É verdade? Uma festa neste palácio?

— É uma ideia — respondeu Adwig. — Ainda não um plano.

— Posso transformá-la num plano.

Adwig mostrou a ele as áreas que havia conhecido. Decidiu que o salão principal, os jardins externos e as galerias próximas poderiam receber convidados. As alas da família e os quartos permaneceriam fechados.

— Quero entradas visíveis, saídas livres e nenhum espaço privado se abrindo por causa da curiosidade de alguém — disse.

— Registrado — respondeu Hermes. — Quantas pessoas?

— Quantas puderem entrar sem perder o direito de ir embora quando desejarem.

Hermes começou a organizar alimentos, música e iluminação. Athos pediu licença para conhecer a casa que recebera e deixou os preparativos para quem demonstrava prazer em realizá-los.

Adwig olhou para a porta e encontrou Dafa ali.

— Posso ficar? — perguntou ela. — Não quero invadir o reencontro de vocês.

— Quero que fique — respondeu Adwig.

Médera ofereceu a Dafa um lugar junto às poltronas. Ela contou o que haviam descoberto em Percento, como atravessaram Alfheim e por que parte dos habitantes decidiu sair.

— E depois? — perguntou Médera.

Dafa olhou para Adwig antes de responder.

— Posso contar o que pertence a nós. O restante envolve outra pessoa e não é uma história que eu possa oferecer sem ela.

— Então conte apenas o que pertence a vocês — disse Médera.

Dafa falou sobre o vínculo de energia, a telepatia inesperada e as escolhas que fizeram durante a travessia. Não expôs Cleópatra.

Adwig chamou Teleret para conhecer o restante do palácio. Os corredores levavam a aposentos inspirados nas princesas das histórias de Krakor. Havia uma torre aberta ao vento, um jardim protegido por paredes translúcidas e uma biblioteca com estantes que se reorganizavam para liberar passagem.

— Você ainda pensa em ter uma filha? — perguntou Teleret. — Era um dos seus sonhos.

Adwig parou.

— Não sei se ainda é. Muita coisa mudou desde que eu imaginava aquela vida.

A pergunta trouxe Mantelar para o centro do que ela vinha adiando. Não era uma lembrança recuperada. Ela pensara nele em Percento, temera por ele e evitara perguntar porque qualquer resposta parecia capaz de destruir a breve estabilidade que conquistara.

Voltou ao salão e chamou Dafa para um espaço afastado.

— Quero falar sem abrir a mente — avisou.

— Estou ouvindo.

— Eu não esqueci Mantelar. Talvez isso seja pior. Pensei nele e continuei adiando a pergunta.

Dafa esperou.

— O que vivi com você foi real — continuou Adwig. — O que aconteceu com Cleópatra também. Mas não posso prometer nenhum futuro sem encontrar Mantelar e contar o que aconteceu.

— Recuperar ou priorizar um vínculo anterior não apaga o que escolhemos — respondeu Dafa. — E o que escolhemos não obriga você a esconder nada dele.

Procuraram por alguém que soubesse onde Mantelar estivera em Vésper. Drácula foi o primeiro a responder.

— Ele se afastou quando vocês morreram. Athos ainda organizava as equipes. Mantelar disse que precisava pensar e não entrou em nenhuma delas.

— Ele ficou no planeta? — perguntou Adwig.

— Foi a última informação que tive.

Sussurro ouvira parte da conversa.

— Os lobos o acolheram — acrescentou. — Viram o estado dele e o levaram para perto do grupo. Foi a última vez que o vi em Vésper.

— Há chance de estarem vivos? — perguntou Adwig.

— Há — respondeu Sussurro. — Não sei para onde foram depois da destruição.

Dafa se aproximou.

— Elaryan pode ter preservado alguns grupos.

— Pode — disse Adwig. — Não significa que tenha preservado todos nem que saiba onde cada um está agora.

Decidiu conversar com Athos na reunião marcada para a manhã seguinte. Procuraria uma rota para os lobos antes de partir sem destino por planetas destruídos.

Hermes apareceu para avisar que os convidados começariam a chegar em breve.

— Ainda quer o baile? — perguntou Dafa.

Adwig olhou para a mãe, o irmão e o palácio construído com histórias de uma infância que não voltaria.

— Quero. Não como se tudo estivesse resolvido.

Dafa estendeu a mão.

— Então dança comigo esta noite?

— Mesmo depois de eu dizer que preciso encontrar Mantelar?

— Estou convidando para uma dança, Ad. Não para decidir o resto da sua vida antes da música começar.

Adwig segurou sua mão.

— Uma dança.

— Pelo menos uma — corrigiu Dafa.

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