Capítulo 22 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 22 de 51
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Capítulo 22

Adwig permaneceu abraçada a Mantelar. Ele acariciava seus cabelos enquanto o vento movia as folhas acima deles.

— Por que passamos tanto tempo longe? — perguntou ela. — As coisas também podiam ter sido boas antes.

— Podiam. Mas nossas escolhas eram limitadas pelo medo e pelo que conseguíamos suportar naquela época. É fácil julgar quem fomos com tudo o que aprendemos depois.

Adwig ia responder quando ouviu movimento entre as árvores. Os dois se levantaram e esperaram. Ela manteve as mãos livres, pronta para atacar, mas não avançou.

Uma mulher e um homem apareceram na clareira. Adwig reconheceu as formas que vira em Atlantis.

— Foi Poseidon quem mandou vocês?

A aparência de Marjone se desfez primeiro. Médera surgiu diante da filha.

Ao lado dela, a pele reptiliana recuou do rosto de Móretar.

— Mãe?

Médera correu até ela. Adwig recebeu o abraço antes de conseguir compreender como a mulher que libertara de Poseidon podia ser a mesma que perdera séculos antes.

— Você me deu a oportunidade de sair de lá — disse Médera. — Eu não sabia se conseguiria encontrá-la depois.

— O que vocês faziam em Atlantis?

— Investigávamos Poseidon — respondeu Móretar. — Queríamos descobrir o que ele sabia sobre Ferne e Elaryan. Athos nos retirou de Atlas depois que vocês atravessaram e nos trouxe para Zen.

— Krakor havia escolhido este planeta como ponto seguro antes da missão — explicou Médera. — Athos acreditou que poderíamos esperar por ele aqui.

Adwig mostrou a espada.

— Ferne também tinha a rota armazenada. Foi assim que chegamos.

Móretar examinou a arma sem tocá-la.

— Então Krakor, Athos e Ferne escolheram o mesmo esconderijo por conhecerem este lugar.

— Não foi uma coincidência — disse Mantelar. — Os três conheciam Zen como rota segura.

Médera tocou o rosto da filha.

— O que fizeram com você?

Adwig contou que fora levada por uma rede controlada por Elaryan, embora Poseidon e Ferne executassem as etapas. Explicou o soro, as mortes dirigidas e os planetas escolhidos para obrigá-la a renascer em corpos mais resistentes.

— Quantas vezes? — perguntou Médera.

— O bastante para que eu parasse de confiar no despertar.

A mãe a abraçou de novo.

— Sinto muito.

— Não foram apenas perdas. Meu corpo mudou e eu aprendi coisas que talvez nunca aprendesse de outra forma.

Adwig olhou para Mantelar. Ele respondeu com um sorriso discreto.

— Ferne morreu nos ajudando a fugir — continuou ela. — Foi escolha dele no fim, mas isso não apaga o que fez antes.

— Não deveria apagar — disse Móretar.

Por alguns instantes, os quatro permaneceram em silêncio. Médera então contou que ela e Móretar haviam se aproximado durante a missão. Não tentou transformar a informação em acidente nem pediu que ele confirmasse por ela.

Adwig olhou primeiro para a mãe, depois para Móretar.

— E meu pai?

— Seu pai e eu nos amamos — respondeu Médera. — Isso não significa que retomamos hoje uma relação interrompida por séculos. Ainda precisamos descobrir quem nos tornamos.

— E Móretar faz parte dessa descoberta?

— Fez parte do que vivi enquanto Krakor não estava comigo. Se eu e seu pai decidirmos tentar novamente, ele saberá. Liberdade não depende de mentira.

Adwig voltou-se para Móretar.

— E Dafa?

Ele não procurou uma resposta em Médera.

— Preciso conversar com ela. O que sinto agora não me autoriza a decidir sozinho o significado do que vivemos.

Mantelar se aproximou de Adwig.

— Ninguém aqui voltou para a mesma relação que deixou — disse. — Nem mesmo nós.

— Mas nós sabíamos o que estava acontecendo quando escolhemos tentar de novo — respondeu ela.

— E é isso que sua mãe está dizendo que fará.

Médera sustentou o olhar da filha.

— Relações podem ter formas diferentes, Adwig. O que não podem é depender da ignorância de quem também participa delas.

— Não sei se concordo com tudo — disse Adwig. — Mas sei que não posso decidir sua vida por você. Só não quero ver nossa família reconstruída sobre coisas que ninguém teve coragem de contar.

— Nem eu.

Móretar respirou fundo.

— Quando encontrarmos Dafa, a conversa será minha. Não de Médera e não sua.

— Eu sei.

Adwig olhou para Mantelar. Havia passado séculos acreditando que poder suficiente resolveria o que lhe faltava. Agora possuía mais força do que imaginara alcançar e continuava sem respostas simples sobre a própria família.

Talvez nenhuma transformação do corpo pudesse oferecer isso.

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