Capítulo 13 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 13 de 51
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Capítulo 13

Médera parou na entrada da sala onde Adwig havia se isolado.

— Posso entrar?

Adwig não respondeu. O choque havia passado e deixado uma espécie de vazio. Não sabia havia quanto tempo estava ali. Depois dos séculos na caverna, perder a noção das horas se tornara comum; em Vésper, onde o tempo não acompanhava o restante do Universo, era ainda pior.

Médera entrou devagar e permaneceu perto da porta.

— Imagino que tenha pensado que desapareci porque quis. Que poderia ter encontrado vocês e escolhi não voltar.

Adwig ergueu os olhos. O modo como a mãe inclinava a cabeça, passava a mão pelos cabelos e franzia a testa era familiar demais. Durante muito tempo, ela repetira aqueles movimentos sem saber de quem os havia aprendido.

— Pensei muitas coisas.

— Tinha razão para pensar. Você e Teleret ficaram sem explicação alguma.

Médera se aproximou mais um pouco.

— Nunca deixei de procurar uma forma de voltar. Quando morri em Key, não segui o caminho que seu pai conhecia. Fui levada para uma região que ele não conseguia alcançar. Morri outras vezes, vivi outras vidas e levei muito tempo para compreender apenas isso. Athos encontrou uma passagem até mim, mas nem ele conhece todas as regras.

Adwig tentou organizar a explicação.

— Por que aconteceu em Key?

— Por causa da posição do planeta. A morte ali podia conduzir minha partícula para fora das rotas conhecidas por Krakor. Seu pai não sabia disso quando levou nossa comunidade para lá.

Médera contou que sofrera, adquirira poderes e fizera coisas das quais ainda precisaria falar. Não tentou resumir todas as vidas numa conversa. Adwig percebeu que havia partes da mãe que ainda não conhecia e outras que talvez não reconhecesse mais.

— Não sei o que sentir — disse Adwig. — Talvez o que eu vivi não chegue perto do que aconteceu com você.

— Não faça isso conosco. Eu sofri longe de vocês. Você e Teleret sofreram sem mim. Uma dor não precisa diminuir para que a outra seja real.

Adwig fechou os olhos. Lembrou-se das mãos que ajeitavam seus cabelos, das canções antes do sono e de lugares que conhecera com a família quando ainda acreditava que nada seria capaz de separá-los. As lembranças estavam apagadas, mas não haviam desaparecido.

Ela começou a chorar.

Médera esperou que a filha diminuísse a distância entre elas. Adwig se levantou e a abraçou com tanta força que por um instante pareceu querer cobrar no mesmo movimento todos os séculos perdidos.

Médera chorou também. Suas lágrimas se soltaram do rosto como pontos de luz, flutuaram ao redor das duas e desapareceram.

O abraço não desfez a raiva de Adwig. Também não devolveu a infância ou tornou simples o que sentia pelo pai. Apenas confirmou que ainda existia amor onde ela havia aprendido a enxergar somente abandono.

— Preciso contar uma coisa sobre seu irmão — disse Médera.

Adwig se afastou o suficiente para olhá-la.

— Krakor sabe que Teleret renasceu. Athos ainda precisa descobrir onde ele está e como podemos chegar até lá.

Adwig demorou a responder.

— Então ele está vivo.

— Vive novamente. Isso não devolve o irmão que morreu em seus braços.

Era esperança e não era. Teleret podia ter outro corpo, outro nome e uma vida na qual Adwig não existia. Ainda assim, não havia desaparecido do Universo.

— Você vai procurá-lo?

— Vou. Mas não partirei sem que você saiba para onde fui.

Adwig segurou a mão dela e saíram juntas. Athos e Krakor aguardavam com Scélor na sala principal.

— A Península está sem governo, os sobreviventes ainda estão sob os escombros e o povo não sabe o que aconteceu — disse Adwig. — Preciso voltar.

Ela olhou para Krakor.

— Você passou séculos procurando minha mãe. Agora vai ajudá-la a encontrar Teleret. Desta vez, não desapareça antes de terminar.

Krakor abaixou a cabeça.

— Não vou desaparecer.

Adwig não disse que acreditava.

Athos abriu o portal e atravessou com ela. Retornaram à mansão do Magnata no mesmo instante em que haviam partido. Frempor, Servero e os Coraces ainda retiravam pessoas dos escombros.

— Minha rainha! — Frempor se aproximou. — Achei que tivesse ido embora com seu pai.

— Eu fui e voltei. Explico depois. Precisamos retirar todos daqui, garantir alimento e formar a administração provisória antes que alguém tente ocupar o lugar do Magnata.

Athos abriu outro portal.

— Ainda tenho assuntos para resolver deste lado do Universo.

— E eu ainda tenho assuntos para resolver com você — respondeu Adwig.

— Eu sei.

Ele partiu.

Alguns prisioneiros começavam a despertar. Um homem tentou se levantar, mas caiu sobre os joelhos.

— A salvaguarda do Magnata... — conseguiu dizer. — Quando ele morresse, o sistema destruiria a Península. Há uma bomba ligada à coleção.

Adwig ouviu um zumbido na sala onde estivera presa. Correu na direção do som e encontrou um mecanismo oculto atrás das estruturas quebradas. O contador marcava sete segundos.

Não havia tempo para retirar a população.

Adwig reconheceu as linhas que conduziam energia para dentro do objeto. Eram semelhantes às da redoma. Se aquela estrutura fora capaz de absorver seus ataques, talvez pudesse receber uma explosão.

Ela fechou a barreira ao redor da bomba e de si mesma.

O contador chegou a zero.

A explosão veio.

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