Capítulo 27 Adwig — Rainha Imortal · Capítulo 27 de 51
Obra Menu

Capítulo 27

Quando Adwig e Dafa acordaram, Elaryan já havia partido. As roupas trazidas por ela continuavam dobradas ao lado do cetro.

As duas se levantaram com dificuldade. Viraram-se em sentidos opostos para trocar de roupa, embora o quarto não oferecesse qualquer privacidade além daquela que concediam uma à outra.

Adwig vestiu faixas roxas feitas de um tecido semelhante ao de seu vestido de Key. A peça acompanhava os movimentos sem limitar braços ou pernas. Dafa recebeu uma versão vermelha, mais curta e ajustada para permitir suas transformações.

— Pelo menos ela não tentou decidir como deveríamos usar — comentou Dafa.

Adwig soltou os cabelos e pegou o cetro. Concentrando energia na haste, conseguiu fazê-lo crescer até o tamanho habitual. Uma única extremidade formou a lâmina conhecida. Quando Dafa encostou a mão na outra ponta, o metal vibrou.

— Durante nossa morte, ele respondeu às duas — disse Dafa.

— Isso explica o que fez. Não explica por que foi criado assim.

Adwig reduziu o cetro e o prendeu à cintura.

Uma mesa havia surgido perto da parede. Sobre ela estavam frutas, pequenos pratos e um bilhete:

A adaptação foi concluída. Os alimentos ajudarão seus corpos a reconhecer propriedades deste lugar. Os símbolos indicam os efeitos esperados. Testem antes de consumir porções maiores. Depois, a parede à esquerda se abrirá para Percento.

— Ela espera que confiemos na legenda que deixou — disse Dafa.

— Podemos verificar.

Dafa retirou uma pequena parte de uma fruta amarela e viscosa. Esperou alguns segundos antes de engolir o restante. Adwig fez o mesmo.

Sua audição se ampliou. Atrás das paredes, distinguiu água correndo, folhas agitadas e animais pequenos.

Um pedaço vermelho, duro e amargo, devolveu a Dafa parte da capacidade de flutuar. Ela saiu poucos centímetros do chão e desceu antes de perder o controle.

Provaram apenas o necessário. Cada alimento facilitava temporariamente um sentido ou poder, sem devolver tudo o que possuíam antes.

— E sua resistência? — perguntou Dafa.

Adwig pressionou a ponta de uma faca contra o braço. A pele resistiu, mas não impediu que uma gota de sangue surgisse.

— Meu corpo ainda é mais resistente. A defesa que impedia minha morte não voltou. Se eu morrer aqui sem o soro ou outra rota, posso acordar em qualquer planeta.

— Então fugir pela morte não é um plano.

A parede indicada começou a se abrir. As camadas que Dafa identificara se dissolveram uma depois da outra, formando um corredor iluminado.

Do lado de fora, árvores de folhas verdes lançavam pólen dourado ao céu. A luz se espalhava pelas partículas e alterava a cor do ambiente. Um riacho de água cristalina passava perto da construção. Depois dele, jardins ocupavam o espaço até uma cidade cercada por árvores maiores.

Natureza e arquitetura pareciam trocar energia. Correntes elétricas percorriam galhos e paredes, enquanto imagens holográficas surgiam entre flores e construções.

— É... Olá! — disse uma voz atrás delas.

Um ser pequeno, magro, de pele verde-clara, orelhas compridas e nariz longo, fazia objetos aparecerem e desaparecerem nas mãos.

— Não queria assustar. Cravento não serve. Diventei também não. Corpeto! Este acalma depois de sustos.

Ele ofereceu dois fios azuis.

— O que mais faz? — perguntou Dafa.

— Em pessoas do tamanho de vocês? Talvez acalme demais.

— Então não queremos.

— Decisão muito prudente. Eu deveria ter começado pela explicação.

Guardou os fios.

— Meu nome é Dircle. Gaia me chama de gnomo porque disse que esse nome seria mais fácil para vocês. Não gosto muito de separar todo mundo por espécie, mas sou responsável pela terra, pelas árvores e por impedir que alguém destrua a floresta.

— Quem é Gaia? — perguntou Adwig.

— Mãe Gaia. Ela me pediu que apresentasse Percento a vocês.

Dafa olhou para Adwig.

— Elaryan — disse em voz baixa.

— Talvez seja o nome que usa aqui.

Dircle já voava entre as árvores. Voltou quando percebeu que as duas ainda recuperavam o controle dos próprios corpos.

— Certo. Mais devagar. Gaia disse que vocês conheceram planetas de elfos. Percento se considera mais avançado que todos eles.

— Quem decidiu isso? — perguntou Dafa.

Dircle parou no ar.

— As pessoas de Percento, imagino. Nunca perguntei aos outros planetas.

Chegaram à cidade. Ela lembrava Key pela integração com a natureza, mas possuía construções maiores, redes de energia visíveis e tecnologias que Adwig não conhecia.

— Por que estamos aqui? — perguntou.

— Existe uma história antiga sobre uma Destruidora que romperia a ordem perfeita, mataria os Reis e devolveria o caos ao mundo. Gaia anunciou que a Destruidora seria você.

— Então ela não criou a profecia — disse Dafa. — Escolheu um rosto para ela.

— Um rosto muito bonito — respondeu Dircle. — Esperavam algo mais assustador.

— O que aconteceu depois do anúncio?

— Os Reis se isolaram, os guardas foram convocados, as ruas esvaziaram e todos começaram a esperar sua chegada.

Adwig olhou para a cidade quase deserta.

— Antes de eu tomar qualquer decisão, Elaryan fez o povo agir como se o caos já tivesse começado.

— Mas você ainda precisa matar os Reis — disse Dircle.

— Não. Primeiro vou conhecê-los.

1/1
Menu

Fazer anotação