Capítulo XXXIII Os Brilhantes · Capítulo 33 de 48
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Capítulo XXXIII

Grande foi a tribulação que sentiu o Brilhante, quando se recolheu ao aposento. A solidão da caverna, o mutismo das pa redes de granito, que se arqueavam monotonamente sobre sua cabeça, desorientavam o espiritodo criminoso. As scenas que havia testemunhado, duranteo dia, misturavam -se aos transesde toda sua vida, e idéas dolentes e sinistrasse baralhavam em sua cabeça. Jesuino, nas agonias de tão estranho pesadelo, julgou-se perdido, tragado pela voragem, que sua mente enferma creava. Tudo se erguia para esmagal -o. A vozeria dos esfomeados the parecia maldições de sua mulher e filhas, abandonadas nas estradasou entregues á prostituição, nos abar.

racamentos do governo. José, que no mesmo salão preparava a primeira e unica refeiçãod'aquelle dia, havia muito que observava a mudança das feições do amo. A tempestade que ia pela alma do Brilhante, pintava -se francamente no seu rosto. O olhar desvairado e as linhas do semblante, em uma alteração profunda, denotavam manifesta anomalia das faculdades mentaes. O liberto, atemorisadocom o estadodo amo, não se atreviaa interrogal-o, mas, não o perdia de vista. Estava para ficardoudo, pensava. Preparada a refeição, serviu-a. Era a mesa um bloco de granito e ficava perto da rede em que o Brilhante estava sentado. A comida fumegava e, embora muito parca e sem aroma de acepipes, pôde impressionar o animal sem comtudo despertar o homem, chamal -o á reali dade da vida.

Nelle estava accordada a besta, que, sequiosa de carne, punha em actividadeos orgãos que lhe eram subordinados. A saliva acudia a bocca e o estomago se entumecia, se congestionava esperando carga. Jesuino, em um perfeitoautomatismo, tirou um pouco de comida e levou á bocca com esfomeação. Um boccado e logo depoisoutro, mais outros. Rapida foi a acção benefica do alimento. O Brilhante, que havia mais de cincoenta horas estava em jejum, comeu tudo o que lhe serviu o liberto. O esgotamento nervoso, que tanto lhe quebrantava o animo, desappareceu. Agora, um bem estar, uma especiede torpor, de tranquillidade, como mysterioso fluido, se propagava a todo o seu ser, e o tinhan'um enlevamento que o afastava do mundo.

Assim esteve alguns minutos, passando da abstracção ao somno. Cahiu na rede e adormeceu repentinamente; os cilioslouros se crusaram em quanto os olhos, pouco a pouco, sees conderam por detraz das palpebras, que se cerraram de todo. Um raio de sol poente penetrava por uma das aberturas lateraes da caverna, espreguiçan do -se nas lageas da gruta. Pouco tempo durou a claridade. As derradeiras scintillações das estalagmitas esmoreceram de todo e a escuridão encheu o espaço da gruta. O liberto deitou-se e, em breve, o som do seu resonar alternava com o do amo. Um somno só, e profundo, restaurou as forças dos dous criminosos até perto de amanhecer.

Ao despertar, o Brilhante não parecia o mesmo que na vespera tinha inspirado tantos receios ao companheiro. Tinha normal o semblante, porém, tristee meditativo. Sem saudar o liberto, com quem só falava para dar ordens, sahiu de bactmarte á entrada da caverna e disparou a arma. Um estrondo medonho estrugiu os ares e foi accordar os Brilhantes e os freteiros, que dormiam a quinhentos metros da Titéla. Ouvido o signal, poseram -se a caminho e vieram ter com Jesuino, que atravessaraa ponte e os esperava com José. - As ordens, disseram descobrindo -se em presença do chefe. -Bom dia, disse o Brilhante, que, notando a falta dos comboeiros, mandou que viessem á sua presença.

Tinha o semblante Sentou -se a mesa Em quanto Pajehú foi chamar os freteiros, Jesuino voltou a caverna. mais calmo e menos triste. de pedra e tirandoda maca papel e tinta, escreveu o seguinte: •Excellencia, saúde. Casa de Pedra, 5 de Dezembro de 1879. - Mais por lealdade a Fran cisco Mendonça, vosso freteiro, do que como uma satisfação, venho dizer-vos que tomei o comboio de viveres que aquelleconduzia, para matar a fome de alguns milhares de infelizes, que a perversidade de vossos agentes commissarios fez emigrar para a serra do Cajueiro em busca de recursos naturaes. Excellencia, viveis illudidoem vosso palacio, cercado de mentirosos e aduladores, que não dizem a verdade e só cuidam de obter favores para si e para a familiadelles. Ignoraes o estado de miseria dos sertõese as agonias da população da provincia que governaes. Os vossos agentes, nessas paragens, são ladrões, ladrões desbragados. Quantasvezes osprotectoresde taeshomens, me terão apresentado a vós como o maior dos scelerados e pedido, para socego de todos, minha cabeça? Quantas vezes me terão accusado perante vós de assassino, ladrão e até de seductor? Dizendo-vos isso, não quero implorar vossa clemencia, pois sou o rei deste deserto, o senhor absolutod'estas paragens. Não pretendo, muito menos, justificaros meus actos;

despreso a justiça dos homens e não tenho a menor aspiraçãode felicidade. Para expiar os meus erros, são bastantesas minhas tribulações n'estes ultimos tempos, o testemunho de scenas tão desoladoras que só se podem acreditar tendo -as debaixo dos olhos. Imaginae alguns milhares de infelizesde todas as idades, sem pão e sem tecto, no ultimo periodo da fome e tereis o quadro que vejo a todos os instantes. Cançado de vel-os soffrer, tive a felizidéa de atacar os comboios, que mandaes distribuirpelos sertões, mas que serviam apenas para engordar os vossos agentes. Continuarei a minha tarefa e juro-vos, por minha honra, que espero nunca me utilisarde um grão de vossos celleiros. Jesuino Brilhante, » Concluida a carta, fechou-a, subscriptou-a ao presidente do Rio Grande do Norte e sahiu da caverna.

Os freteirosjá o esperavam. Entregou-lhes a missiva, mandou provel-os de mantimentos e ordenou que voltassem. Desertas estavam as cercanias da Casa de Pedra. No theatro das miserias do dia anterior, apenas estava o chão revolvido e emporcalhado de trapos e excrementos. Os cadaveres dos famintos não estavam mais ahi, o que era para estranhar. O Brilhante, que pensava em mandal -os enterrar, temendo a carniça, ficou surprehendido com o desapparecimento delles. Parafusou no caso e não achou explicação. Nenhum dos retirantesprefereria pôr ás costas um defuncto em vez de um sacco de viveres. Os sentimentos de humanidade que os levariam com sacrificioa sepultar os mortos, estavam de todo embotados. N'ellesexistiaapenas a besta, somente sensivelás dores physicas.

Jesuino tinha mais em que cuidar. A tempestade de odios tinha serenado com as treguas que lhe haviam dado os inimigos. A crueza com que os perseguia contrastava com a piedade que sentiapelos famintos. O mesmo coração com sentimentos tão oppostos! . . . O Brilhante se dirigiu aos companheiros: -E ' chegada a occasião de trabalharmos pelo bem do proximo. Todos viram o quadro de hontem, nada mais é preciso accrescentar para excitar o interesse em prol de tão desventuradas creaturas. Estou resolvido a pôr -me em campo, a empenhar todo meu valor e actividade em favor destes infelizes. -E se você não encontrar mais viveres do rei? ponderou João Soares.

-A corrente não estancará em quanto hou ver commissarios protegidos pelos grandes da capital. --Mas poderá mudar de caminho, accrescentou o irmão do Brilhante. ---Estaremos em todas as estradas, em to dos os pontos, os comboios não nos escaparão. -E, se falharem os seus calculos, o que será dos retirantes e como se livrará d'elles, meu irmão? ---Teme o trabalho ou receia a fome dentro d'estas brenhas, João? ----Temo sempre os golpes que a força do homem não póde evitar. Com que cavallosconta para as nossas correrias? Na primeira excursão que fizemosultimamente, affrontaramlogo. Sem agua e sem pastagem, o animal mais brioso fracateia e por fim cae de todo. Você viu a aridez do sertão, a mesquinhez das fontese atrevese ainda a fallar em correr por esses desertos, dezenas de leguas e por fim triumphar e vencer tudo! Illude-o a sua coragem, meu irmão.

Não deve esquecer nunca a lição dos bebedouros. Você foi, luctou como um desesperado, porem sahiu vencido. -Tudo pode ser. Esgotou -se o praso das ponderações. Não estámais aqui o parente, está o chefe, a quem todos devem a mais cega obediencia. De hoje em diante, ás 6 horas da manhã, aqui, armados e montados, a receber ordens. Voltem ao rancho, dividam -se em dous grupos commandados por João Soares e Silvestre e vão percorrer a serra e ver o melhor meio de alimentar nos proprios esconderijosos famintos. Amanhã informar -me hão de tudo. Bôa viagem, disseJesuino, entrando para a caverna em companhia do liberto. Nenhum dos companheiros ousou fazer a menor objecção.

Voltaram ao rancho, onde estiveram o tempo precisopara encilharascavalgaduras, encher de comida os alforges, e tomar as armas. Partiram os dous grupos em direcções oppostas. Embrenharam -se na floresta. Os cavallos caminhavam a passo; outra andadura não lhes permittia o escabroso caminho. Dos esconderijos proximos á vereda, sabiam, attrahidospelotropel dos animaes, esqueleticasfigurasde homens, mulheres e meninos, que, conhecendo os senhores da Casa dePedra, ajoelhavam-se e pediam de que comer pelo amor de Deus. Andaram o dia todo pesquisando por todos aquelles recantos e, quando a noite cahiu e voltaram ao rancho, tinham a mente tão vasia de um plano de soccorro como pela manhã quando sahiram. João Soares e Silvestre tinham virado toda a serra e palpado a enorme chaga da miseria em toda a sua extenção. Pasmaram muitas vezes deante dos soffrimentos d'aquelles infelizes e outras tantas deante de seu heroismo. Nos mais inaccessiveispenhascos, encontravam vestigiosda coragem selvaticados famintos. Nos perigosos desfiladeiros, que os Brilhantes passavam a pé, arrimando-se com ambas as mãos nas pedras e nas arvores, viamse grãos de cereaes e as anfractuosidades dos rochedos cobertas de pellos de estopa, signaes evidentes da passagem d'ellespor aquellas perigosissimastravessias. Só a loucura, o delirio famelico teria tamanho atrevimento, se arriscaria a transpôr tão arriscados passos.

O Brilhantehavia sahidosó, montado, e José ficara na guarda do rancho, com ordem do chefe para soccorrer qualquer retirante que apparecesse na Títéla. Jesuino encontrou aqui e alio rasto das cavalgaduras dos companheiros e em alguns logares tão fresco, que os teria alcançado se não fosse outro o seu intento. Percorreu a serra de norte a sul. As mesmas scenas desoladoras por toda a parte. Os rostos escaveirados que sahiam das fendas das rochas para espiar o criminoso, casavam bem com a morbida perspectiva da floresta. Um ar doentio enchia o espaço, fazendo-o tristee sombrio. Jesuino caminhava quasi desilludido da salvação dos retirantes. O sol escondido no poente illuminava a terra com desmaiados tons crepusculares, e a natureza ali moribunda mais accentuava as tristezasque desalentavam a alma do Brilhante.

Assim voltava, quando o seu cavallo, murchando as orelhas, bufou, dando signalde gente no caminho. Jesuino mostrou -se entendido, tocando -o de leve com a espora. Algum desgraçado que volta da caçada dos lagartos ou dos sapos, talvez com a barriga pregada no espinhaço, pensou o criminoso. O Exhalação não tinha caminhado duzentos metros, depois do aviso, quando parou e o senhor viu com difficuldade atravez das brumas levantadas pelo pôr do sol, um vulto estendido no caminho. Embalde chamou -o á falla. Não dava signalde vida Approximou -se e apeou-se logo. Estava aliuma mulher nova, ainda com boas carnes, desmaiada. O Brilhante contemplou-a por alguns instantes e tocou-lhe a fronte com a mão; estava fria e tinha uma humidade que o impressionou mal. Chegou o ouvido perto do rosto d'ella;

respirava. Segurou -a pelos braços e lhe balançou o tronco algumas vezes, mas sem resultado; a mulher não tornava. Jesuino notou que a mesma frialdade da testa espalhava-se pelo corpo todo. Fitou com attenção a desmaiada, mas embalde. Era um mysterio aquelle somno. Os ultimos lampejos do crepusculo the permittiram ver, por entre os negros e mal cerrados cilios, parte das pupillas dilatadas e sem luz. O Brilhante viu-as e comprehendeu tudo. Muito habituado estava a ver, nos famintos, olhos de grandes meninas embaciadas. O seu interesse pela desconhecida augmentou logo que reconheceu ser a fome a causa de tudo aquillo. Todo cheio de piedade, olhava a mulher e via agora que, alem de muito jovem, era bonita. O dia desappareciade todo, era preciso soccorrer a faminta. Já não tardava a treva a esconder tudo. A Casa de Pedra ficava a mais de tres kilometros, só n'ellaa desmaiada podia ser soccorrida e teria o Brilhante meios de chamal -a a vida.

Convencido d'isso, Jesuinomontou -se e, com um signal da brida, fez o Exhalação se chegar ao corpo da retirantee ajoelhar-se. O cavallo havia executado aquella manobra com incrivelrapidez e perfeição. Logo que o criminoso teve a retirante ao alcance das mãos, segurou -a por baixo dos braços e sentou -a na lua da sella. O corpo, entretanto, molle como um molambo, não se aprumava, embrulhava -se com o proprio peso. O Brilhantecom difficuldade pôde unil-o ao tronco, apoial-o e deitar-lhe a cabeça, que pendia, como se estivessedesconjunctada, sobre o hombro esquerdo. Feito isto, tocou de leve com as esporas no cavallo, este se levantou e seguiu a passo.

A claridade dos ultimos raios do sol haviase fundidoem uma tintapreta, que enchia desde o pincaro dos cabeços até o fundo dos preci. picios. O cavallo andava sem ruido, como se an dasse com pés de gato. A retirantese conservava fria, e o corpo todo mole, fazia com que não estivessefirme, que escorregasse, que pendesse de um para outro lado, incommodando seriamente a Jesuino, que não perdia o equilibrioporque conhecia perfeitamentea equitaçãoe montava um animal que parecia adivinhar-lhe os pensamentos. O Exhalação, embora pouco satisfeitocom a carga, que, alem de dupla, não tinhaa estabilidade precisa, levava-a do melhor modo, evitando tombos e escorregos nos desfiladeiros.

Assim foram até a Titélado Perigo. Da Casa de Pedra, perfiladan'aquelledeserto, não sahia o menor rumor, não vinha a menor claridade, parecian'ellanão morar ninguem. Jesuino chegando á extremidade da ponte fez o cavalloajoelhare apeou-se, levando nos braços a faminta. Os seus primeiros passos foram difficeis; as juntas estavam perras e todo entanguidoandava a custo. O cavallo teve ordem de voltar ao rancho, ordem que lhe deu o senhor fazendo sibilarum agudo assobio. O Brilhante estava disposto a transpor a Titélalevando a retirante; mas para isso era necessario contar com toda a energia de seus musculos e estes estavam ainda um pouco dormentes.

A faminta continuava no mesmo torpor. Sabia -se que vivia pelos batimentos do coração, que, embora fracos, percebia-os o criminosode encontro ao peito. Jesuino deitou a retirante no chão emquanto recuperava as forças. Livre d'ella, o Brilhante se estirou a vontade num espreguiçamento que The espertou os musculos meio entorpecidos. Minutos depois, Jesuino estava fortee capaz de levar aos seus aposentos um fardo tres vezes mais pesado. Sem mais reflectir, tomou a desmaiada nos braços, como se fosseuma creança de peito, e, calma e tranquillamente, atravessou a ponte. Chegando ao limiarda entrada, viu-se em apuros para collocar no batente a faminta.

O corpo parecia desconjunctado e o Bri lhante, temendo feril-o nas anfractuosidadesda rocha, chamou José em seu auxilio. Chegando o liberto, foifacilguindar a retirantee leval-a aos salões da Casa de Pedra. Era outro ahi o ar, aquecido por um va lente fogo. A vastidão do aposento e as scintillaçõesdas estalactitesque desciam das abobadas e das estalagmites que subiam do pavimento, davam á estancia um aspecto phantastico. Jesuino improvisou perto do fogo uma cama e deitou a retirante. Ella não se movia, con servava a posição em que a collocaram as mãos do criminoso. O Brilhante comprehendia perfeitamente a causa d'aquella inacção, que, não sendo combatida, teria a morte como consequencia. Man. .

dou ao libertoque fizesseum caldo e, emquanto chegava o alimento, tratou de reanimar a faminta friccionando-lhe o colloe os braços. O calor do fogo e o attritodas mãos haviam modificado um pouco a algidez da pelle. Era este um signal de proxima resurreição, embora a côr terrea do rosto fizesse duvidar da continuação da vida. A luz vermelha da fogueira batia em cheio no corpo da desmaiada e deixava bem visiveistodos os signaes de um perfeito estado syncopal. Jesuino chegou -se a retirante para alimental-a; levava um vaso com caldo chilro e uma colher de ferro. Chamou -a, pediu que abrisse a bocca para receber o alimento; mas a faminta nem por um gesto mostrava ouvil-o.

Na impossibilidade de fazel a voltar a si, o Brilhante levou -lhe aos labios uma colherada de caldo. Pensava ser facil a ingestão do liquido, illudia-se. A colher esbarrou se na fila de alvos dentes que os queixos traziam cerrados. Procurou desunil-os, baixar o queixo inferior, mas a peça não se movia, parecia soldada ao craneo. Je suino ia-se inquietando com a resistencia que encontrava. Uma lucta a faca, a bala, o incommodaria menos. Olhava com grande piedade para a retirantee tinha verdadeiro interesse em salval -a. Lembrava -se das filhas; bem podia ser que a secca as reduzisse a emigrar e tivessem a sorte da faminta! O criminoso foi-se impacientando e tentou forçar a entrada da bocca, mover o queixo inferior da retirante, mas sem resultadoalgum.

Quasi desenganado de salval-a, envolveu -a em um capóte de baêta, e começou, com a maior delicadeza, a deitar o caldo gotta a gotta por uma pequena abertura, que encontrou entre os dentes. A tarefa era difficil. Jesuino não se mostrava enfadado, pelo contrario, via-se-lhe no rosto um certo ar de satisfação. Depois de uma boa hora de tratamento, tinha o Brilhante conseguido que a faminta engulisse algumas colheres de caldo. A pelle estava mais quente e as feições mais animadas. Os olhos haviam - se fechado de todo; parecia adormecida. A respiração tinha um som melhor, o coração não estava tão moroso. Dormia. Pouco a pouco as linhas do sem blante se fundiram em um ar placido e tranquillo.

Jesuino velava-lhe o somno. O liberto, de pé, a dous metros do amo, olhava a retirante sem interesse e sem dó. O Brilhante, notando a postura do mestiço, disse-lhe: -De nada mais preciso. José ouviu -o e recolheu -se á rêde. XXO

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