Mudança de Planos Liberdade do Vento · Capítulo 21 de 49
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Mudança de Planos

Athos mantinha as mãos diante do peito, abrindo no ar a primeira linha do portal, quando Fenrir contraiu nossas pernas. A direção que ele reconhecera sob o campo cresceu dentro do corpo até disputar espaço com o arco de luz. Eu via os dedos de Athos, Henri acompanhava a distribuição da força em nossos músculos e Fenrir farejava terra úmida, pedra aquecida e uma corrente de ar que circulava muitos quilômetros abaixo de nós. As três percepções chegavam pelo mesmo corpo, mas nenhuma vinha identificada.

— Antes de abrir a passagem, preciso saber uma coisa — pedi. — Em Vésper, as luas não têm a posição nem a composição das luas daqui. O que pode acontecer com os lobos quando atravessarem?

Athos desfez a linha luminosa e examinou o céu de Inc. A lua ainda ocupava uma parte enorme dele, próxima o bastante para manter os ferimentos da alcateia fechados e para sustentar a alteração física que acabáramos de enfrentar.

— Posso reproduzir luz, calor e parte da radiação que conhecemos, mas não conheço tudo o que esta lua provoca neles — respondeu Athos. — A passagem continua possível. A permanência exige estudo, observação e liberdade para retornarem caso o corpo reaja mal.

Fenrir recebeu a resposta com inquietação. Uma ordem antiga queria conduzir toda a alcateia atrás do Alfa, enquanto a lembrança do campo afirmava que os lobos pertenciam àquela lua. Henri segurou nossas mãos abertas e obrigou a terceira consciência a sentir o limite dos dedos, dos pés e da respiração antes de executar qualquer movimento.

— Há outra pergunta — continuei. — Você sabia que duas pessoas unidas poderiam receber uma terceira simbiose, vinda de alguém que já vivia unido a ela?

Athos aproximou-se e tocou nosso pescoço, onde a mordida já desaparecera. A matéria sob a pele respondeu ao contato, formando pelos curtos e recuando logo depois.

— Eu nunca encontrei uma união igual à de vocês dois, Magno. Também nunca vi uma simbiose transferir-se dessa forma para um corpo já compartilhado. Se eu disser que compreendo o resultado, estarei escolhendo uma resposta para tranquilizá-los.

— Então não escolha — disse Henri, usando nossa voz. — Precisamos que você reconheça o que ignora. Três vontades estão chegando aos mesmos músculos, e uma delas passou gerações comandando este lugar.

Athos baixou a mão. A abertura para Vésper poderia esperar alguns minutos, mas a preparação em Ux exigia seu retorno. Ele contou que outros já se reuniam para alcançar Hades no submundo, e a menção ao nome atravessou Fenrir com tamanha violência que nossos joelhos atingiram o chão.

As mãos amorteceram a queda. O cheiro do campo desapareceu sob uma lufada de ar mineral, carregada de água estagnada e ferro. Uma mulher respirava do outro lado de uma barreira que eu não conseguia ver. Ela chamou sem formar palavra, e centenas de respostas lupinas percorreram túneis, fendas e câmaras enterradas. Fenrir conhecia cada resposta, mas não sabia convertê-las numa explicação humana.

— Magno, não siga a primeira imagem — pediu Henri dentro de nós. — Separe o que estamos recebendo. Eu sustento o corpo, você procura a sequência.

Apoiei as mãos no solo e deixei que Henri organizasse a respiração. Primeiro veio uma abertura escura, comprimida no centro por uma força capaz de arrancar matéria das paredes. Depois, um caminho semelhante surgiu em outro mundo, marcado pelo cheiro que Fenrir associava a Ux. A ligação entre os dois pontos dobrava distância e rocha. Mais abaixo, a mulher de cabelos rosados atravessava salões sem conseguir alcançar a superfície, enquanto os lobos desciam até ela e voltavam trazendo pedidos, avisos e lembranças.

— Perséfone — falei, e o nome cessou a agitação por um instante. Fenrir reconhecia aquela mulher, sua prisão e a obrigação de protegê-la. — Ela está aqui, no submundo de Inc.

Athos se agachou diante de nós. Hagar, Dafa, Krakor, Nerfate e Bel aproximaram-se, mas conservaram distância suficiente para não cercar um corpo que ainda tentava descobrir quem controlava cada movimento.

— O que Fenrir mostrou sobre ela? — perguntou Athos.

— Perséfone fala com os lobos pela mente. Eles conseguem alcançá-la, embora ela não consiga deixar o submundo — respondi. — Existe uma passagem entre o lugar onde ela está presa e o submundo de Ux. A estrutura comprime tudo ao redor; pode ser um buraco negro muito pequeno ou alguma construção que produza o mesmo efeito.

Henri procurou novamente a sequência e encontrou uma lembrança de Fenrir diante da abertura. Do outro lado, uma figura masculina atravessava o limite sem sofrer a resistência imposta a Perséfone. O lobo conhecia o cheiro de Hades mesmo sem guardar um encontro recente com ele.

— Se Hades precisar sair de Ux, esta passagem pode trazê-lo até Inc — completou Henri. — Não sabemos se ele pretende usá-la. Sabemos que ela existe e que os lobos a vigiam por causa de Perséfone.

Athos levantou-se. A luz que preparara para Vésper se desfez por completo, e sua atenção voltou à direção de Ux.

— A ofensiva ganhou uma saída que desconhecíamos. Eu preciso avisar os outros antes que avancem, e alguém precisa proteger este lado sem fechar uma passagem que pode engolir quem tentar destruí-la.

Ele se voltou para Krakor, mas o guerreiro já conhecia o pedido e ergueu uma das mãos antes que a pergunta fosse concluída.

— Depois de tudo o que atravessamos juntos, você ainda precisa pedir?

— Preciso saber que a escolha continua sendo sua — respondeu Athos. — A cada mundo, a missão de vocês recebeu outra extensão. Nenhuma delas se torna obrigação apenas porque eu consigo abrir um portal.

Krakor consultou Hagar com um movimento de cabeça. Dafa já verificava o estado de Bel, Nerfate observava a alcateia e os cinco confirmaram sem necessidade de uma votação demorada.

— Voltamos quando Perséfone estiver protegida e esta passagem deixar de oferecer uma saída fácil — disse Hagar. — Vá cuidar do lado que depende de você.

Henri e eu ainda precisávamos decidir. Fenrir desejava correr imediatamente para o submundo, convocando todos os lobos no caminho. A urgência dele atingia nossos músculos, mas carregar milhares de pessoas até uma passagem desconhecida repetiria o comando que havíamos recusado poucos minutos antes.

— Nós ficamos — respondi depois de ouvir Henri. — Parte da alcateia continuará aqui com os feridos e aguardará uma avaliação de Vésper. Levaremos apenas quem conhece a rota e escolher acompanhar esta missão.

Athos assentiu e abriu uma passagem menor, estreita o bastante para uma única pessoa. Antes de atravessar, segurou nosso antebraço.

— Salvem Perséfone e impeçam que Hades encontre este lado despreparado. Não tentem enfrentá-lo sozinhos caso ele atravesse.

— Pode ir — disse Henri. — Quando ele chegar, terá de passar por mais gente do que espera.

O portal se fechou atrás de Athos. Krakor esperou alguns segundos, examinou o campo cheio de lobos e recuperou o sorriso que costumava anunciar uma provocação.

— Qual é o plano, Alfa? Espero que a terceira consciência tenha melhorado sua capacidade de improvisar.

— Vamos tomar café com Perséfone — respondi. — Antes disso, precisamos convencer a mulher que governa a entrada da casa dela.

Fenrir forneceu o nome antes que eu o procurasse: Freya. Com ele vieram uma torre sobre o gelo, olhos atentos nas janelas e a resistência acumulada entre dois povos obrigados a dividir a mesma cidade. Henri reteve a imagem e perguntou à terceira consciência por qual caminho chegaríamos sem avançar sobre território alheio. A resposta deslocou nossos pés para o norte.

Expliquei à alcateia o que sabíamos e o que continuava desconhecido. Toqueville, um homem de barba curta que ocupara posição próxima ao antigo Alfa durante o combate, confirmou que podia manter os feridos reunidos e preparar voluntários para uma futura passagem. Pedi que ficasse no campo com a maior parte do grupo. Ele aceitou a função sem baixar a cabeça.

Cerca de quarenta lobos escolheram seguir até Asgard. Quando assumimos a forma completa de Fenrir, a transformação encontrou resistência dentro do corpo. Henri conservou o equilíbrio das pernas, eu mantive as mãos longe do chão até que os dedos terminassem de se alongar, e Fenrir conduziu o restante: músculos cresceram, a mandíbula avançou e pelos escuros cobriram a pele. Pela primeira vez, a forma lupina surgiu de uma negociação entre três vontades.

Dafa tornou-se uma pantera negra e tomou posição à nossa esquerda. Hagar cresceu até assumir o corpo de um urso branco, alto o bastante para enxergar sobre o grupo, enquanto Nerfate abriu caminho com as patas largas de um mamute cinzento. Krakor ganhou asas extensas e subiu para observar o terreno. Bel escolheu uma forma alada muito menor, veloz, adequada ao corpo ainda cansado.

Partimos pela vegetação baixa. Ramos flexíveis cediam sob nossas patas e devolviam um aroma fresco a cada passada. Fenrir queria acelerar além dos companheiros, mas Henri regulou o ritmo pela respiração de Bel, e eu mantive o destacamento dentro do alcance dos sentidos. A liderança já começava a deixar de ser o movimento de um corpo à frente e se tornava atenção sobre quem podia ficar para trás.

O terreno subiu durante horas. A vegetação diminuiu, o ar perdeu umidade e placas finas de gelo surgiram entre as folhas. Krakor descia em intervalos para indicar desníveis ocultos, enquanto Nerfate quebrava as crostas mais espessas e abria passagem para Hagar. Os lobos distribuíram-se ao redor deles sem receber ordem, reconhecendo o caminho guardado por Fenrir.

Quanto mais avançávamos, mais difícil ficava distinguir lembrança de orientação. Eu sabia virar antes que a encosta surgisse e reconhecia água sob o gelo pelo cheiro, mas o conhecimento pertencia ao lobo. Henri começou a nomear cada origem dentro de nós: visão de Magno, movimento de Henri, memória de Fenrir. A separação não diminuía a união; impedia que um de nós se apresentasse como dono dos outros.

No fim da subida, o solo caiu diante de um vale largo. Torres de pedra clara ocupavam as encostas e convergiam para um castelo central, erguido sobre sucessivos níveis de gelo. Pontes fechadas ligavam edifícios altos, e fumaça saía de aberturas estreitas nos telhados. Lobos circulavam pelas vias inferiores; felinos de diferentes tamanhos ocupavam muros, escadas e janelas.

Recuperamos a forma humana antes de entrar no vale. A transformação devolveu nossas roupas danificadas e deixou os sentidos de Fenrir expostos: dezenas de cheiros felinos chegavam acompanhados por hostilidade, curiosidade e reconhecimento.

— Bem-vindos a Asgard — anunciei ao grupo. A frase saiu da memória de Fenrir, mas escolhi pronunciá-la depois de reconhecer o lugar com meus próprios olhos.

— A cidade inteira pertence à alcateia? — perguntou Krakor, pousando ao lado de Dafa e retomando a forma humana.

— Aos lobos e às felinas que vivem unidas às mulheres daqui — respondeu Dafa. Ela inclinou o rosto para a entrada do vale e respirou devagar. — Já estão nos observando.

Fenrir reagiu ao castelo. Um salão antigo apareceu em nossa memória, ocupado por um homem de um olho só e por um lobo ainda jovem. O nome Odin veio junto com a certeza de que ele fora o primeiro hospedeiro capaz de sustentar Fenrir por longo tempo. Depois, o salão surgiu vazio. Outros homens receberam a simbiose, viveram pouco sob sua intensidade e foram substituídos. Durante esse intervalo, Freya tomou o castelo e organizou a cidade em torno de seu governo.

— Essas lembranças são dele — avisei Henri. — Eu conheço histórias da Terra com os mesmos nomes, mas elas divergem em quase tudo.

— Então não complete as lacunas com o que leu — respondeu Henri. — Podemos perguntar a quem vive aqui.

Seguimos pela avenida central. Homens e mulheres nascidos em Inc caminhavam ao lado dos animais com os quais dividiam a vida. Algumas uniões já estavam completas; em outras, um lobo ou uma felina acompanhava a pessoa sem se fundir a ela. Fenrir guardava lembranças de rejeições, corpos incapazes de sustentar a mudança e longos períodos sem renascimentos. O número reduzido de habitantes deixava bairros inteiros fechados sob o gelo.

Antes da primeira ponte, seis felinas saltaram do muro e tocaram o chão em forma de mulheres. A que ocupava o centro vestia um casaco escuro até os joelhos e manteve uma das mãos próxima a uma lâmina presa à cintura.

— Um novo Alfa chegou depressa — disse ela. — Veio repetir o desafio dos anteriores ou prefere passar vergonha diante da cidade inteira?

Fenrir empurrou nossa mandíbula para a frente. A provocação atingiu uma sequência de derrotas antigas, e o corpo preparou-se para responder à rivalidade antes que qualquer um de nós escolhesse as palavras. Henri conteve o pescoço; eu abri as mãos para que a mulher visse que não procurávamos arma.

— Viemos falar com Freya, mas ninguém aqui veio desafiá-la — respondi. — Meu nome é Magno. Divido este corpo com Henri e, desde hoje, com Fenrir. Trazemos uma informação de Ux que ameaça Perséfone e toda Inc.

A menção a Ux retirou o deboche do rosto das guardas. A mulher do casaco avaliou os quarenta lobos, as formas humanas dos cinco integrantes do Éden e os sinais de sangue ainda secos em nossas roupas.

— Sou Chantae. O nome de Perséfone não abre sozinho as portas desta torre.

— Então leve nossos nomes e diga que Hades pode atravessar para cá — pediu Henri. — Freya decidirá se prefere ouvir o restante antes ou depois que ele encontre a passagem.

Uma janela se abriu no ponto mais alto da torre central. A mulher que surgiu ali tinha cabelos ruivos, compridos, e a distância não diminuiu a autoridade de sua voz.

— Deixe-os subir, Chantae. O restante da alcateia espera fora do castelo.

Os lobos aceitaram a ordem com menos resistência do que Fenrir. Escolhi Toqueville para permanecer à frente do destacamento e pedi que evitasse qualquer provocação enquanto estivéssemos dentro.

— Se demorarmos, mantenha todos juntos e não tente tomar a torre — ordenei. — Estamos aqui para conseguir uma aliada, não para herdar outra guerra.

Toqueville confirmou e ocupou a entrada da ponte. Durante um instante, o nome puxou a lembrança de um autor terrestre, mas o homem diante de mim pertencia a Inc, não exibia o brilho dos renascidos e possuía problemas urgentes demais para virar uma investigação.

Chantae conduziu nosso corpo e os cinco integrantes do Éden pelo portão. As mulheres que atravessavam o castelo vestiam variações de um uniforme antigo, com saias ou calças escuras, camisas claras e casacos fechados até o pescoço. Algumas eram acompanhadas por felinas; outras carregavam os olhos e os movimentos delas no próprio corpo.

A torre ocupava por dentro um espaço muito maior do que a largura observada no vale. Escadas afastavam-se em direções que a parede externa não poderia conter, e o céu aparecia pela janela acima de um salão cuja extensão ultrapassava o castelo. Henri procurou uma mudança em nossos sentidos, mas Fenrir reconheceu aquela arquitetura e aceitou a distorção sem reagir.

Freya esperava diante de um assento baixo colocado junto à janela, fora do eixo do salão. Sardas cobriam a pele clara do rosto, e os cabelos ruivos estavam presos apenas de um lado. Ela não precisou de trono elevado nem de guardas ao redor para ordenar o espaço.

— Você ainda procura onde termina Magno e começa Fenrir — disse Freya. — Corajoso para quem acaba de vencer o Alfa anterior. Estúpido, caso tenha vindo exigir o meu castelo antes de aprender a controlar as próprias mãos.

— Henri também está aqui — respondi. — Se pretende medir o risco, conte três consciências, não duas.

Freya deixou o assento e se aproximou. Fenrir quis sustentar o olhar como desafio, mas Henri e eu recusamos juntos. Baixar os olhos seria submissão ritual; avançar o queixo seria uma ameaça. Permanecemos imóveis e permitimos que ela examinasse a cicatriz desaparecida no pescoço.

— Três consciências tornam o visitante mais perigoso, não mais importante — disse Freya. — Explique por que pronunciou o nome de Perséfone diante da minha torre.

— Ux está sob ataque, e Athos voltou para participar de uma ofensiva contra Hades — respondi. — Fenrir nos mostrou uma passagem entre os submundos de Ux e Inc. Hades consegue atravessá-la. Perséfone permanece presa deste lado e usa os lobos para vigiar a rota.

Freya conservou o rosto firme, mas uma das mãos fechou-se sobre o punho da outra. Fenrir reconheceu o gesto de encontros antigos e entregou uma lembrança breve: Freya descendo sozinha por uma escada de pedra, voltando horas depois com o cheiro de Perséfone nas roupas.

— Vocês afirmam que Hades virá para cá? — perguntou ela.

— Afirmamos que ele pode vir e que Athos desconhecia essa saída — respondeu Henri. — Se esperarmos a confirmação, Perséfone será a primeira pessoa entre ele e a superfície.

Hagar aproximou-se apenas o bastante para entrar na conversa. O urso branco já recuara para dentro dele, mas a presença física continuava ocupando boa parte do espaço ao lado de Magno e Henri.

— Precisamos conhecer a passagem, retirar quem estiver sob risco imediato e preparar resistência sem provocar o colapso da ligação — explicou Hagar. — Fenrir pode nos conduzir até Perséfone. As pessoas de Freya conhecem o território e os acessos melhor do que nós.

Freya voltou-se para a janela. Lá embaixo, lobos e felinas ocupavam lados diferentes da ponte, atentos aos menores movimentos. Uma ordem errada poderia trazer a rivalidade para dentro do castelo enquanto Hades avançava por baixo dos dois povos.

— Os Alfas anteriores procuravam esta torre para tomar o que Odin deixou — disse ela. — Você chegou com o mesmo lobo e pediu que eu protegesse a mulher que amo.

— O comando de Fenrir trouxe obrigações que eu ainda estou aprendendo — respondi. — Uma delas começou a gritar sob o solo quando Athos abriu a passagem. Não vim tomar Asgard. Vim impedir que nossa disputa entregue Perséfone a Hades.

Freya soltou as próprias mãos e chamou Chantae. A guarda aproximou-se, pronta para receber uma ordem contra nós, mas ouviu uma decisão diferente.

— Avise às outras que a passagem de Ux pode ser usada. Ninguém desce sozinho, ninguém abandona os acessos e nenhum lobo será atacado enquanto estiver sob o meu chamado.

Chantae saiu sem discutir. Freya tocou uma peça de pedra na parede, e parte do piso abriu-se para uma escada que descia além da luz do salão. O cheiro mineral recebido no campo alcançou Fenrir outra vez, agora acompanhado pelo aroma distante de café.

— O que precisamos fazer primeiro para proteger Perséfone? — perguntou Freya.

— Falar com Perséfone e descobrir o que ela sabe sobre a passagem — respondeu Henri. — Depois dividimos os acessos e preparamos uma forma de atrasar Hades.

Freya entrou na abertura e fez um gesto para que a seguíssemos. Fenrir reconheceu o caminho, eu reconheci a escolha e Henri conduziu nosso primeiro passo escada abaixo.

— Então vamos descer. Perséfone não receberá essa notícia de um mensageiro.

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