A Contrapartida Liberdade do Vento · Capítulo 31 de 49
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A Contrapartida

A alegria de Henri chegou primeiro aos meus braços. Falcão ainda segurava a nuca de nosso corpo, Alice mantinha uma das mãos sobre nosso rosto e, por baixo da pele que dividíamos, cada lembrança dele procurava um lugar onde caber. Eu sentia a praia de Finiti, o sangue no salão e o vazio deixado pelos pais durante séculos, mas não precisava atravessar nenhuma dessas imagens para reconhecer o que acontecia. Henri apertava a mãe contra o peito e chorava com uma força que também contraía minha garganta.

Alice repetiu o nome do filho mais uma vez. A voz saiu baixa, interrompida pela respiração, e Henri respondeu contando que sobrevivera ao golpe. Falcão quis saber quem governara Finiti depois do ataque; Nazer perguntou por Hagar, Dafa e os demais; Nazerith passou o polegar por uma marca antiga na própria mão enquanto esperava respostas para perguntas acumuladas na prisão. O reencontro se espalhou pela sala, sem ordem, com várias pessoas começando frases ao mesmo tempo.

Henri contou o necessário. Falou da queda de Finiti, do caminho até a Terra, da busca pelos Mestres do Ar e da forma pela qual nossas vidas terminaram unidas. Quando chegou ao nome de Magno, recuei menos dentro da consciência e levantei nossa mão. Falcão olhou para os dedos, depois para os olhos que ainda pertenciam ao filho.

— Então você está aí agora? Henri disse que consegue ouvi-lo mesmo quando controla o corpo.

— Estou aqui. Queria que este primeiro momento fosse de vocês.

Alice tocou nosso braço e perguntou se eu sentia o abraço. Respondi que sim, mas que a felicidade vinha inteira de Henri e passava por mim sem perder a origem. Ela levou alguns segundos para acomodar essa resposta. Depois agradeceu por eu ter recuado e voltou a envolver o filho.

Falcão falou de Spender sem transformar a revolta em façanha pessoal. Mostrou as feridas deixadas pelas hastes de castigo, descreveu os turnos de trabalho e contou que o levante dependera de prisioneiros dispostos a dividir o pouco de energia que guardavam. Henri acompanhou cada frase com os olhos fixos nas mãos do pai. Quando soube que Elaryan chegara somente depois da vitória, sua respiração relaxou por um instante.

Alice não tentou resumir as vidas que atravessara após morrer no parto. Disse que recuperara lembranças aos poucos, que ainda precisava decidir o que faria com algumas delas e que desejava ouvir primeiro a vida do filho. Quando Henri perguntou se ela fora feliz em algum mundo, Alice alisou nossos cabelos e respondeu que existiram alegrias, danos e escolhas que não cabiam numa palavra.

Nazer e Nazerith contaram a fuga da prisão pela parte que podiam sustentar diante de Henri. Passaram anos privados do vento, consumiram cada livro deixado pelos carcereiros e encontraram na própria morte a única abertura disponível. Nazerith corrigiu o irmão duas vezes sobre os cálculos; Nazer corrigiu o nome de uma peça da máquina construída depois do renascimento. A discussão curta entre os dois fez Henri rir, e aquele som terminou de devolver ar à sala.

As kinnaras se aproximavam pelas portas, atraídas pelas vozes. Algumas carregavam água e tecidos; outras ficaram no corredor, olhando Falcão, Alice e os Mestres do Ar. K3 perguntou a K1, num sussurro que chegou aos sentidos de Fenrir, o que Shiva preparava para tantos recém-chegados. K1 pediu silêncio e indicou nosso corpo com os olhos.

Henri não percebeu a troca. Continuava ocupado demais recebendo os pais, e eu preservei essa pequena distração durante alguns minutos. A advertência ficou comigo: Elaryan prometera tempo, porém não definira quanto.

Ilana surgiu atrás das kinnaras e parou junto à porta. Ela não tentou disputar espaço com a família. Encostou dois dedos nos lábios, apontou para o corredor e esperou. Henri sentiu o gesto por meus olhos.

— Vá — disse ele dentro da consciência. — Quero ficar com eles usando meu próprio rosto. Acho que chegou a hora de todos verem o que fazemos.

Expliquei ao grupo que Henri e eu podíamos separar os corpos e que o processo não causaria dano. Alice afastou as mãos, embora os dedos resistissem até o último instante. Falcão abriu espaço ao nosso redor. Nazer e Nazerith assumiram a atenção de estudiosos diante de uma experiência que jamais tinham presenciado.

Henri recolheu as lembranças e a vontade para o lado direito; eu concentrei as minhas no esquerdo. O vento atravessou nossa pele, procurou a divisão entre duas histórias e começou a distribuir matéria. Fenrir acompanhou Henri, enquanto Suzaku conservou o calor junto ao meu peito. A sala girou por alguns segundos. Dei um passo para um lado, Henri caiu de joelhos no outro e nossas mãos permaneceram unidas até os braços terminarem de se formar.

Falcão segurou Henri pelos ombros e Alice ajoelhou diante dele. Eu permaneci curvado, recuperando o fôlego, enquanto meu rosto assumia diferenças que a união costumava esconder. Ainda compartilhávamos traços demais. Vistos lado a lado, poderíamos ser irmãos separados por poucos anos, mas Henri conservava os olhos do pai e eu recuperava linhas que conhecia do espelho.

— Agora consigo abraçar apenas você — disse Alice, puxando Henri para perto. — Preciso aprender as duas formas, mas esta eu reconheço.

— Magno continua ligado a mim. A distância não apaga o que dividimos.

Falcão estendeu a mão para mim e me ajudou a levantar. Agradeceu pelo espaço concedido ao filho, e eu respondi que Henri também me devolvera uma manhã que eu desejava viver com Ilana. Nazer já fazia perguntas sobre conservação de massa. Nazerith pediu que ele deixasse os cálculos para depois.

Saí com Ilana pelo corredor. Não corremos para fugir do grupo; caminhamos até que as vozes diminuíssem e pudéssemos decidir para onde ir. Eu mencionei o jardim suspenso, visto apenas de longe desde a chegada, e ela aceitou conhecê-lo comigo.

Partimos de uma varanda aberta. Ilana controlava o vento com precisão durante uma luta, mas sustentá-lo sob o próprio corpo exigia outra distribuição de força. Mantive uma corrente sob seus pés, corrigi a inclinação quando ela perdeu altura e segurei sua mão somente depois que ela pediu. Em poucos minutos, encontrou um ritmo e passou a ajustar as rajadas sem minha ajuda.

O jardim ocupava o céu entre o palácio e a cidade. Um tronco largo se estendia na horizontal, dividido em ramos capazes de sustentar caminhos, pequenos lagos e grupos inteiros de árvores. Raízes pendiam da face inferior e desapareciam em nuvens finas. As flores cresciam em faixas de cores, acompanhando curvas que conduziam ao centro da planta.

Pousamos perto de uma lagoa estreita. A água escorria pela borda, descia por uma raiz e se desfazia em névoa antes de alcançar as vias inferiores. Ilana se ajoelhou, tocou a superfície e acompanhou com os olhos o percurso da água.

— Quem mantém este lugar? A água volta por onde?

— Ainda não perguntei. As kinnaras cuidam do palácio, mas não sei se trabalham aqui.

— Você conhece cem mulheres dentro de uma única construção e chama isso de começo do reino. Quantas pessoas vivem abaixo dessas nuvens?

Aproximei-me da borda. Sob o jardim, vias aéreas ligavam torres douradas, bairros construídos em plataformas e galerias abertas no corpo rochoso da cidade. Mais abaixo, a luz perdia força. Pequenos pontos se moviam por corredores que eu nunca visitara.

— Não sei. Também desconheço quem governa cada região, como a comida chega, quem escolhe os trabalhos ou o que mudou quando as cidades foram trazidas para cá.

— E as kinnaras que não estão diante do rei? As cem começaram a falar porque você autorizou uma reunião. Quero saber se conseguem manter uma escolha quando você sai da sala, se podem deixar o palácio e se outras vivem sob regras diferentes.

Eu quis responder que libertara aquelas mulheres das obrigações íntimas e abrira a mesa para todas. A frase chegou à boca e perdeu força. K1 ainda esperara meu gesto para beber. Kaconforma precisara de autorização para escolher o próprio nome. Nossas primeiras correções dependiam da mesma autoridade que tentávamos reduzir.

— Fizemos mudanças dentro do alcance dos nossos olhos. Isso não prova liberdade fora dele.

— Também não torna as mudanças inúteis — respondeu Ilana. — Só impede que você confunda uma manhã boa no palácio com a vida de um reino inteiro.

Sentamos junto à lagoa e fizemos uma lista no verso de uma placa que encontrei presa ao caminho. Precisávamos mapear as camadas inferiores, conhecer os responsáveis pela água, comida e transporte, visitar as duas cidades transferidas e ouvir as kinnaras sem a presença dos reis. Ilana insistiu que os grupos falassem entre si antes de nos apresentar qualquer pedido. Eu acrescentei que Henri deveria participar da decisão sobre toda estrutura associada aos Reis do Vento.

Quando a lista ocupou os dois lados, guardei a placa junto ao corpo. Contei a Ilana que, durante a vida na Terra, escrevi romances inspirados por imagens dela que eu ainda não reconhecia como lembranças. Falei da espera por uma mulher que julgava impossível encontrar e do constrangimento de admitir quantas páginas íntimas nasceram daquela ausência.

— Então você me inventou durante anos e agora terá de aprender a diferença entre a mulher e os livros.

— É uma das poucas dificuldades que recebo com prazer.

Ilana contou que nunca construíra uma vida em torno de um romance. Liderara movimentos contra autoridades que controlavam terra, alimento e deslocamento; aprendera a dormir em acampamentos, negociar com pessoas hostis e abandonar lugares pouco antes de uma prisão. O reencontro comigo não apagava essas responsabilidades.

— Quero ficar ao seu lado, Magno, mas não para decorar o jardim de um rei. Se esse reino estiver sustentado sobre gente sem escolha, vou incomodar você todos os dias.

— Foi uma das razões pelas quais amei você em outra vida. Só precisei morrer para recuperar a informação.

Ela riu e puxou minha camisa. O beijo começou devagar, interrompido pela placa que eu ainda segurava entre nossos corpos. Coloquei o objeto no chão e a trouxe para perto. O vento sustentou nossos pés sobre a água, e Ilana acompanhou o movimento até que girássemos juntos sobre a lagoa. Quando perdemos o ritmo, pousamos na margem aos risos.

As mãos dela encaixaram-se nas minhas, mas eu já não procurava um final para a história naquele gesto. Ilana estava ali com desejo, argumentos e uma lista de lugares que me obrigaria a visitar. Beijei o suor junto ao pescoço dela e senti seus dedos apertarem minha nuca.

Um raio violeta atingiu a torre central do palácio. A descarga abriu ramificações sobre as paredes douradas e fez as flores do jardim se fecharem ao mesmo tempo. Suzaku ergueu o calor dentro de mim. A distância que me separava de Henri tornou-se um chamado tenso.

— Precisamos voltar — falei, entregando a placa a Ilana. — Segure isto e mantenha o vento sob os pés. Eu cuido da velocidade.

Voamos para o palácio. Ilana conservou a própria sustentação durante todo o percurso, e eu criei uma corrente larga para acelerar os dois corpos. Entramos pela varanda mais próxima do salão onde deixáramos a família.

Um homem de meio metro ocupava o centro da sala. A barba alcançava sua cintura, os braços estavam cobertos por faixas metálicas e uma haste curta permanecia presa às costas. Elaryan se encontrava atrás dele, vestida com tecidos brancos e violetas, o cabelo preso por uma peça que eu não vira nas outras visitas. K1 e as demais kinnaras mantinham a testa próxima ao chão.

— Ajoelhem-se diante da deusa Shiva — ordenou o pequeno guardião.

Uma pressão atingiu minhas pernas. Os joelhos dobraram contra minha vontade e bateram no piso. Ilana caiu ao meu lado, mas apoiou uma das mãos no chão e tentou levantar. A força aumentou até seus braços tremerem. Henri, Alice, Falcão, Nazer e Nazerith já estavam submetidos à mesma posição.

Elaryan observou o grupo sem pedir que o guardião interrompesse. K1 chamara Shiva de responsável por enviar o rei, e agora aquele título organizava a sala ao redor dela. A roupa, o guardião e a reverência confirmavam uma função social; nenhum deles me permitia afirmar quem Elaryan fora em outros ciclos.

— Levantem Magno e Henri — disse ela. — Preciso falar com o Rei do Vento.

A pressão soltou nossas pernas. Henri quase caiu ao se erguer, ainda desacostumado ao corpo separado. Caminhamos um em direção ao outro. Antes de tocar minha mão, ele perguntou mentalmente se eu concordava com a união. Respondi que sim.

O vento juntou os dois corpos. Fenrir retornou com Henri; Suzaku abriu espaço no peito, e as memórias se alinharam até que nossa visão voltasse a ocupar os mesmos olhos. A alegria do reencontro continuava dentro dele, agora cercada pelo medo que a sala impunha.

— Preciso que lidere o Exército A em uma batalha dentro de trinta minutos — declarou Elaryan.

— Elaryan, você prometeu explicar o objetivo, o risco e quem será afetado.

O guardião girou o braço. O golpe atravessou a distância e atingiu nosso abdômen. Fomos lançados contra uma coluna, perdemos o ar e caímos de lado. Fenrir conteve o impulso de avançar; Suzaku aqueceu nossas mãos até que Henri e eu a obrigássemos a recuar.

— Pronuncie o título correto — exigiu o guardião. — Deusa Shiva, criadora e mantenedora da existência.

Apoiei uma mão no chão e me levantei. Henri compartilhou o fôlego, mas manteve comigo a decisão de não atacar. Falcão tentou sair da posição imposta e recebeu mais pressão sobre os ombros.

— Deusa Shiva, então. Nós decidimos que o povo deste reino não será entregue a guerras sem escolha. Não convocaremos um exército sem conhecer a missão.

O silêncio das kinnaras mudou. Algumas ergueram os olhos; K3 levou a mão à boca; K1 continuou ajoelhada, porém suas asas se abriram alguns centímetros.

— Vocês podem alterar o palácio, dividir a mesa, permitir nomes e reorganizar cada cidade sob sua autoridade — respondeu Elaryan. — Podem fazer tudo que desejarem pelo povo enquanto governam. Essa liberdade termina diante de uma ordem minha.

— Então não somos reis. Administramos o que você nos empresta.

Henri assumiu nossa voz sem me afastar. A mudança passou pela garganta e estabilizou o tom antes que ele encarasse Elaryan novamente.

— Você trouxe meus pais e os Mestres do Ar. Sou grato por isso. Gratidão não autoriza o uso de pessoas que não aceitaram lutar.

Elaryan desceu um degrau e parou perto de nós. Não elevou a voz nem procurou o guardião. A tranquilidade dela tornou mais nítida a diferença entre o que podíamos decidir dentro do reino e a força capaz de dobrar todos os corpos da sala.

— Encontrei cada pessoa que vocês me pediram para encontrar. Protegi lugares que poderiam ser destruídos durante a ausência delas. Devolvi a Magno a mulher que procurava e entreguei a vocês um reino preservado durante séculos. A contrapartida nunca esteve escondida: quando eu exigir uma tarefa, vocês a cumprirão.

— Você disse que apresentaria pedidos — respondi. — Ordem e pedido não ocupam o mesmo lugar.

— A formulação podia ser gentil enquanto vocês ainda não tinham recebido tudo. Agora conhecem o alcance do acordo.

Ilana conseguiu erguer o rosto. A placa com nossa lista permanecia presa entre os dedos dela, amassada pela força aplicada sobre seu corpo. Alice tentava alcançar Henri com uma das mãos. Falcão olhava para o guardião, calculando uma luta que perderia antes do primeiro passo.

— Se recusarmos? — perguntou Henri por nossa boca.

— O Exército A continuará existindo sob minha autoridade, e vocês descobrirão quanto controle conservam sobre este reino quando deixam de cumprir a função para a qual foram trazidos. Não destruirei sua família para vencer uma discussão. Também não negociarei durante os vinte e oito minutos restantes.

Ela indicou a torre visível além das janelas. Uma linha violeta saiu de seus dedos e marcou o caminho entre o palácio e a estrutura flutuante.

— Reúnam o Exército A na Torre Flutuante de Batalha. Receberão a missão quando estiverem lá.

Elaryan e o guardião desapareceram numa descarga violeta. A pressão abandonou a sala. Ilana levantou primeiro e veio até nós, ainda segurando a placa. Alice envolveu nosso braço; Falcão examinou o ponto atingido no abdômen; Nazer e Nazerith olharam para o espaço vazio, procurando algum mecanismo que explicasse a saída.

— Vocês não podem obedecer sem saber para onde levarão essas pessoas — disse Ilana.

— Também não podemos fingir que o exército ficará parado se recusarmos — respondeu Henri por nossos lábios. — Precisamos chegar à torre, conhecer a missão e descobrir onde ainda existe escolha.

K1 aproximou-se com um saco de sementes aquecidas e o pressionou contra nosso abdômen. Pedi que todas se levantassem. Algumas obedeceram imediatamente; outras olharam para o lugar ocupado por Elaryan antes de tirar os joelhos do chão.

— Eu queria que aproveitassem o reencontro — disse K1. — Por isso não falei sobre a obrigação dos Reis do Vento. A torre guarda a arma de Indra e o meio de convocar os quatro exércitos. Posso mostrar o caminho.

— Você sabia que ela nos mandaria para uma batalha hoje?

— Não sabia quando, apenas que o pedido chegaria. Os antigos reis também governavam livremente até receberem uma ordem de Shiva.

Olhei para a placa amassada nas mãos de Ilana. A primeira linha falava das camadas inferiores; a última, da autonomia das kinnaras sem a presença do rei. Nenhuma reforma sobreviveria se todo o reino continuasse preso a uma autoridade que podia escolher seus exércitos, dobrar seus corpos e retirar seus governantes.

Entreguei o saco aquecido a Henri dentro de nossa mão compartilhada e pedi a K1 que nos levasse à torre. Alice tentou acompanhar. Henri explicou que precisava encontrá-la outra vez depois de conhecer a missão, não porque o reencontro tivesse acabado, mas porque a ameaça já alcançava todas as pessoas daquela sala.

Falcão pediu uma arma. Nazer e Nazerith quiseram examinar a torre. Eu recusei os três pedidos por enquanto. Levaríamos apenas K1, ouviríamos as instruções e voltaríamos antes de convocar qualquer combatente, se ainda pudéssemos determinar essa ordem.

Ilana devolveu a placa e fechou nossos dedos sobre ela. As letras gravadas durante a manhã continuavam legíveis apesar das dobras produzidas no ajoelhamento.

— Leia isso antes de chamar alguém de súdito.

Seguimos K1 pelo corredor. Restavam vinte e seis minutos. A dor no abdômen diminuía sob o calor das sementes, mas a frase de Elaryan continuava intacta: a liberdade concedida ao reino terminava onde começava a vontade dela.

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