Soneto
Se te é possível pela dor que sentes
Medir a dor que vai me consumindo;
Se por meus versos meu amor sentindo,
Sentires minhas lágrimas ardentes;
Se a teus brandos ouvidos inocentes
Meu nome ainda ressoar fugindo,
Como em dous lírios que se vão abrindo
Passam do vento os surdos ais plangentes;
Crê nestes versos que escrevi chorando:
Crê neste pranto que a gemer bebi,
Sombrio e mudo, em sonhos te adorando,
Pesa a saudade que me oprime aqui:
Por ela eu morro que me está matando,
Por ela eu vivo, — porque penso em ti!
Recife - Novembro - 1868.