Soneto Corimbos · Capítulo 2 de 63
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Soneto

Se te é possível pela dor que sentes

Medir a dor que vai me consumindo;

Se por meus versos meu amor sentindo,

Sentires minhas lágrimas ardentes;

Se a teus brandos ouvidos inocentes

Meu nome ainda ressoar fugindo,

Como em dous lírios que se vão abrindo

Passam do vento os surdos ais plangentes;

Crê nestes versos que escrevi chorando:

Crê neste pranto que a gemer bebi,

Sombrio e mudo, em sonhos te adorando,

Pesa a saudade que me oprime aqui:

Por ela eu morro que me está matando,

Por ela eu vivo, — porque penso em ti!

Recife - Novembro - 1868.

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