Súplica
(1868)
Queres saber onde minh’alma ansiosa
Depura a taça dos festins da vida?
Onde ela sonha e se extasia e goza,
Nua de louros, — de ambições despida?
É nos teus lábios, minha mãe querida!
Queres saber em que lugar medita
Minh’alma à casta Inspiração unida?
Onde meu ser iluminado habita
Bem como a lua em fundo azul perdida?
É nos teus olhos, minha mãe querida!
Ah! se tu vires despontar o dia
Em que minh’alma for por Deus colhida:
Do morto a fronte macilenta e fria
Antes de ser à terra conduzida,
Deita em teu seio, minha mãe querida!
- Recife.