A Sepultura Dela Corimbos · Capítulo 9 de 63
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A Sepultura Dela

(1868)

A Plínio de Lima.

Nas longas noites estivais, calmosas,

Ao terno olhar da fugitiva estrela,

Toda coberta de sereno e rosas,

Como é formosa a sepultura dela!

O vento as folhas do chorão percorre,

Os astros vagam na cerúlea tela,

E à luz dos astros que cintila e morre

Como é formosa a sepultura dela!

Nos alvos braços d’uma cruz repousa,

Murcha e despida a virginal capela,

E aos pés da cruz que lhe defende a lousa,

Como é formosa a sepultura dela!

O triste arcanjo de funéreo encanto,

Que eternamente pelos mortos vela,

Diz entre as asas escondendo o pranto:

Como é formosa a sepultura dela!

E às vezes quando a natureza irada

Desdobra o manto que os fuzis revela,

Cercada d’água e de tufões cercada,

Como é formosa a sepultura dela!

Ali a paz entrelaçada à morte

Dorme entre as dobras da mortalha bela,

Sem luz, sem vida, sem farol, sem norte

Como é formosa a sepultura dela!

Vai, ó minh’alma, ó pobre flor perdida,

Ludibrio eterno de infernal procela,

Vai-te abrigar dos temporais da vida

Na fresca pedra do sepulcro dela!

- Recife.

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