A Sepultura Dela
(1868)
A Plínio de Lima.
Nas longas noites estivais, calmosas,
Ao terno olhar da fugitiva estrela,
Toda coberta de sereno e rosas,
Como é formosa a sepultura dela!
O vento as folhas do chorão percorre,
Os astros vagam na cerúlea tela,
E à luz dos astros que cintila e morre
Como é formosa a sepultura dela!
Nos alvos braços d’uma cruz repousa,
Murcha e despida a virginal capela,
E aos pés da cruz que lhe defende a lousa,
Como é formosa a sepultura dela!
O triste arcanjo de funéreo encanto,
Que eternamente pelos mortos vela,
Diz entre as asas escondendo o pranto:
Como é formosa a sepultura dela!
E às vezes quando a natureza irada
Desdobra o manto que os fuzis revela,
Cercada d’água e de tufões cercada,
Como é formosa a sepultura dela!
Ali a paz entrelaçada à morte
Dorme entre as dobras da mortalha bela,
Sem luz, sem vida, sem farol, sem norte
Como é formosa a sepultura dela!
Vai, ó minh’alma, ó pobre flor perdida,
Ludibrio eterno de infernal procela,
Vai-te abrigar dos temporais da vida
Na fresca pedra do sepulcro dela!
- Recife.