Inês Corimbos · Capítulo 57 de 63
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Inês

(1867)

Oh! dans tes longs regards j'allais tremper mon âme...

- A. de Musset.

Naquela noite de arroubado enleio

Em que eu te vi pela primeira vez,

Pulsou meu peito e estremeceu teu seio:

Nós vivíamos, Inês!

Naquela noite de ventura imensa

Da calma lua à morna languidez,

Noite de sonhos, de harmonia e crença

Nós tremíamos, Inês!

Naquela noite de profundo encanto

Em que eu cobri o rasto de teus pés

De loucos beijos, de insensato pranto,

Nós gozávamos, Inês!

Naquela noite de ilusões formosas,

Bafejada de eflúvio e morbidez,

Naquele instante de emoções saudosas

Nós chorávamos, Inês!

Naquela noite de cruéis martírios,

— Iguais àquela o Criador não fez!

Noite de febre e de infernais delírios

Nós amávamos, Inês!

- Rio.

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