Inês
(1867)
Oh! dans tes longs regards j'allais tremper mon âme...
- A. de Musset.
Naquela noite de arroubado enleio
Em que eu te vi pela primeira vez,
Pulsou meu peito e estremeceu teu seio:
Nós vivíamos, Inês!
Naquela noite de ventura imensa
Da calma lua à morna languidez,
Noite de sonhos, de harmonia e crença
Nós tremíamos, Inês!
Naquela noite de profundo encanto
Em que eu cobri o rasto de teus pés
De loucos beijos, de insensato pranto,
Nós gozávamos, Inês!
Naquela noite de ilusões formosas,
Bafejada de eflúvio e morbidez,
Naquele instante de emoções saudosas
Nós chorávamos, Inês!
Naquela noite de cruéis martírios,
— Iguais àquela o Criador não fez!
Noite de febre e de infernais delírios
Nós amávamos, Inês!
- Rio.