Quatorze Versos
(1868)
Vai! Sê feliz! Meu coração magoado
Desdenha a esmola do teu divo encanto;
Para estancar as ondas do meu pranto
Fora mister riscar o meu passado;
Teus olhos falsos, teu sorrir pensado,
Da tua sedução todo o quebranto
Dá-os a quem conhece o riso e o canto,
Que eu da ventura vivo desterrado.
Para arrancar-me ao báratro profundo,
Sem estrelas, sem bússola e sem norte
Onde meu ser arqueja moribundo:
Só esse amor que inflige leis à sorte:
Amor sublime que esquecendo o mundo,
Crava os olhos em Deus e os pés na morte!
- Recife.