Oração à Virgem
(1866)
À minha irmã Amélia.
Maria! Os prantos da vida
São raios do teu fulgor,
Tu és a Rosa nascida
Entre os espinhos da dor.
Tu és a loira Esperança
Da morte sobre a agonia,
És o Íris da bonança,
Ó casta e santa Maria!
Tu és a divina Aurora
De todos que creem em ti:
Ao pecador dizes: — chora!
Às criancinhas: — sorri!
És a lâmpada suspensa
Eternamente a brilhar,
As almas vivem da crença
Que jorra do teu olhar!
Deus pôs no mundo a existência,
Na terra a dor e o tormento;
Deus pôs no berço a inocência
Pôs na campa o esquecimento.
E a sombra meiga e saudosa
Que o frágil berço vigia,
É a tua imagem formosa
É a tua sombra, Maria!
O poder que tudo encerra
Criando o sorriso teu:
— Fez muitas virgens pra terra
Mas uma só para o céu!
Um fio do teu cabelo
Dos longos cabelos teus:
É como o sagrado elo
Que prende o Universo a Deus!
No teu seio abençoado
Arcanjo da redenção,
Chora contrito o Pecado
Ergue-se rindo o Perdão!
- Recife.