Nêmesis Corimbos · Capítulo 51 de 63
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Nêmesis

(1868)

Varrida, enfim! varrida estás da minha mente!

Seja bendito o céu e Deus que não consente

A crença ao pé do mal, ao pé da serpe a flor!

Seja bendito Deus, seja bendito o amor,

Que não cegou de todo o infeliz tresloucado,

Que em teus lábios bebera o filtro condenado!

Enfim! nobre, orgulhoso e contente me exponho

Duma quadra melhor ao despontar risonho...

Meu pulso livre está! Meu ser liberto e altivo

Calcando a terra em flor pode exclamar: — eu vivo!

E agora que recebo a intensa claridade

De todo firmamento, e sei que a liberdade

É a vida, o mar, a terra, a eternidade, o espaço;

E agora que estas mãos sem ferros nem cansaço

Podem cingir sem medo a mão mais alva e pura,

É que eu vejo, é que eu sondo a negra sepultura

Do teu medonho encanto e desse horrendo amor,

Onde vivi sem vida um século de dor!

Varrida! enfim varrida estás da minha ideia!

A teus pés arremesso os anéis da cadeia,

Que prendeu meu destino aos olhos teus, traidora!

E esta pena com que tracei-te o nome outrora,

Em lodo, em fel, em sangue, em lágrimas molhada,

Lanço-a longe de mim que está envenenada!

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