Arroubo Corimbos · Capítulo 29 de 63
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Arroubo

(1866)

Olha-me ainda! Delirante e pálida,

Banha minh’alma nesse ardente olhar!

Deita em teu seio a minha fronte cálida:

Faze que eu possa, que inda possa amar!

Por que tremeste? A viração perdida

Dorme na relva dos vergéis em flor:

Tudo é silêncio e tudo fala à vida:

Cala-te e escuta: vai passar o amor...

Por que tremeste? Solitária a lua

Vagueia ao longe... Como és bela assim!

Prende um momento a minha mão na tua,

Quero-te agora mais ao pé de mim.

Ninguém nos ouve... Que tens tu que tremes?

Por que teu rosto junto ao meu descora?

Tentas sorrir e no sorriso gemes...

Mas eu que sinto? Por que tremo agora?

Ah! não me digas! Delirante pálida,

Banha minh’alma nesse ardente olhar!

Deita em teu seio a minha fronte cálida:

Sinto que posso, que já posso amar!

- Rio.

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