Sinhá
(1868)
Peut-être alors, pour me donner le bonheur
suprème, Dieu me changerait-il en ton coeur!
- Miçkiewicz, Elégies.
Longe dos olhos teus, distante embora,
Seguir teus passos meu amor virá:
E no meio das festas e das danças,
Hás de sentir um beijo em tuas tranças;
São meus lábios, Sinhá.
Quando dormires ninarei teu sono;
E minh’alma contigo sonhará:
Aos clarões da manhã terna e fagueira,
Verás fugir da tua cabeceira
Minha sombra, Sinhá.
Eu sei, querida, que o meu triste nome
Sempre em teu lábio asilo encontrará:
Mas ah! se um dia a morte dolorida
Arrancar de meu ser a força e a vida,
Longe de ti, Sinhá,
Minh’alma ardente atravessando o espaço,
Cheia de sombras e de luz virá,
Como o filho que volta ao lar materno
Dormir o sono do descanso eterno
Nos teus braços, Sinhá!
- Recife.