Noite de Estio
(1867)
A noite entornava do seio os encantos:
Da noite os mantos tremia o luar...
Que aromas, que beijos, que loucos amores,
Da terra nas flores — nas ondas do mar!...
E os gênios, os silfos, as fadas corriam,
E as auras sorriam da noite entre os véus...
— Amor! era a nota voando perdida
Da lira adormida nos braços de Deus!...
Que festas! que raios! que orquestra divina!
Que loira neblina, que esplêndida luz!
A pálida Vênus das nuvens fugindo
Beijava-se rindo nas ondas azuis!
E a tudo assistia minh’alma entre os prantos,
Meu peito de encantos e crenças já nu:
Faltava-me um astro, faltava-me a vida:
Querida! Querida! faltavas-me tu!
- Olinda.