Último Adeus
(1867)
À J. C.
O never! never more!
- Pope.
Quando teus olhos molhados
Do pranto da despedida,
Quando teus olhos, querida,
Fitarem o mar e os céus,
Na vaga mais fria e triste
Que ecoar a teus ouvidos,
Irão todos meus sentidos
Irá meu último adeus.
Irá minh’alma invisível,
Minh’alma perdida e louca,
Beijar- te a chorosa boca,
Beber os soluços teus;
Na aragem que a terra ainda
Banhar de aromas queridos,
Irão meus sonhos partidos
Irá meu último adeus.
Último sim! No momento
Em que me achar isolado,
Sem ti — amor do passado —
Sem ti proteção de Deus,
Hei de ter força bastante
Para enviar-te aos ouvidos
Meus derradeiros gemidos
No meu derradeiro adeus!
- Recife.