Ao Niêmen
(MIÇKIEWICZ - 1868)
Ó meu rio natal! Em vão procuro
No teu regaço as vagas rescindentes,
Onde estas mãos banhei inda inocentes,
Certo da vida e do prazer seguro;
De Laura em cujo olhar li meu futuro
— Risonho cofre de meus ais plangentes,
Guardou teu seio as graças refulgentes,
Que eu perturbava com meu pranto puro:
Ó meu rio natal! Onde ocultaste
Tantas riquezas e tesouros tantos?
Onde a minha ventura sepultaste?
Laura onde está? Aonde os seus encantos?
Tudo mirrou-se como tu secaste!
Só vós! só vós não secareis meus prantos!
- Recife.