Recordações do Mar
PARÁFRASE - 1865
No álbum do Dr. A. de Drummond Filho.
Era a hora em que o céu constela-se de mundos:
E Deus, simb’lo de amor, senhor dos largos céus,
Mergulha o sol já morto em vagalhões profundos,
Suspende a lua além — na vastidão sem véus!
Recordação querida! ó! sonho venturoso!
O mar vinha talvez de solidões sem fim,
Rasteiro, meigo, humilde, — em êxtase amoroso
Beijar o teu pezinho envolto no cetim.
Da bruma iluminada a fronte de Diana
Pendeu-se e te cercou de límpido fulgor:
Como o sultão que espreita o sono da sultana,
Febril, ardendo em gozo e pálido de amor!
Da doce atmosfera a transparência vinha
Teu corpo senhoril num mar de luz banhar:
E como o chão dum trono aos pés duma rainha,
Das praias o tapiz deixava-se calcar...
Ó! se eu pudera, louco! encarcerar num beijo
Essa nota de amor que minh’arpa afinou!
Embalde, embalde, sim! Foi um sonho, um desejo,
Um ai que a brisa trouxe e o vento arrebatou!
- Recife.