Recordações do Mar Corimbos · Capítulo 53 de 63
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Recordações do Mar

PARÁFRASE - 1865

No álbum do Dr. A. de Drummond Filho.

Era a hora em que o céu constela-se de mundos:

E Deus, simb’lo de amor, senhor dos largos céus,

Mergulha o sol já morto em vagalhões profundos,

Suspende a lua além — na vastidão sem véus!

Recordação querida! ó! sonho venturoso!

O mar vinha talvez de solidões sem fim,

Rasteiro, meigo, humilde, — em êxtase amoroso

Beijar o teu pezinho envolto no cetim.

Da bruma iluminada a fronte de Diana

Pendeu-se e te cercou de límpido fulgor:

Como o sultão que espreita o sono da sultana,

Febril, ardendo em gozo e pálido de amor!

Da doce atmosfera a transparência vinha

Teu corpo senhoril num mar de luz banhar:

E como o chão dum trono aos pés duma rainha,

Das praias o tapiz deixava-se calcar...

Ó! se eu pudera, louco! encarcerar num beijo

Essa nota de amor que minh’arpa afinou!

Embalde, embalde, sim! Foi um sonho, um desejo,

Um ai que a brisa trouxe e o vento arrebatou!

- Recife.

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