Ao Som da Viola Corimbos · Capítulo 52 de 63
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Ao Som da Viola

(1865)

Ainsi chante au soleil la cigale dorée

- A. de Musset.

Ai! fujamos destes ares

Deste clima e desta corte!

Há tantos sertões no norte,

Há tanta flor no sertão!

As florestas rumorejam,

Os vagalumes adejam

Da lua ai frio clarão:

Um rio o monte retalha,

Uma só casa de palha

Domina toda a extensão!

Ai! vamos viver de encantos!

Vem ver quanta liberdade

Te rouba o ar da cidade

Te entrega o céu do sertão:

Ai! quantas manhãs cheirosas!

Quantas silvas, quantas rosas,

Quantos perfumes no chão!

Na grama a palha dum ninho

A pena dum passarinho

Eu e tu e — a solidão.

Hás de ouvir talvez chorando

Os meigos sons da viola,

Tristes como ais da rola

Do mato na escuridão:

Ah! que saudades, querida,

Quanta lágrima esquecida

Não choraremos então!

E quanto amor, quanto medo

Prendendo um mútuo segredo

Nas asas da viração!

Ai! Vamos viver bem longe,

Longe do engano e do mundo,

Naquele exílio profundo,

Nos braços da criação:

Foge ao clima em que te abrasas,

Vem abrir as tuas asas

Aos ventos da solidão;

Perdes os bailes, é certo,

Mas lá — naquele deserto

Tens um mundo: — o coração!

- Rio.

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