A Garça
(1868)
................................je regarde toujours
Cher astre, tes yeux clairs à travers la mer sombre...
- Xavier de Ricard
As negras ondas da vida
Solitária atravessando,
Minh’alma — garça perdida,
Vai gemendo e vai voando:
A correnteza fremente
Sombria passa a arquejar,
Mas a garça alvinitente
Mal roça as asas no mar:
O céu pesado se espraia
Chumbando a morna amplidão:
Fica longe, longe a praia
E não tarda a cerração;
Em côncavo se aninha
A branca filha do mar?
Por que minh’alma caminha?
Onde est’alma vai pousar?
Vai pousar fresca na margem,
Que entre as sombras vê luzir,
Onde habita a tua imagem,
Onde mora o teu sorrir;
A pobre garça fugindo
Do vento ao louco furor,
Vai dormir sonhando e rindo
No ninho do nosso amor!
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