Àquela que Partiu
(1866)
Ai! quem sabe onde a vaga revolta
Levará meu perdido baixel!
- Soares de Passos.
No dia em que deixaste o nosso teto amigo
Em busca de mais belo e mais vistoso encanto,
Eu traguei em silêncio as ondas do meu pranto,
Em silêncio arrastei a cruz do meu castigo.
Onde iria esconder-me? Achar novo abrigo,
Doce, puro, tranquilo, encantador e santo,
Que fechasse minh’alma, e tudo, tudo quanto
Eu pudesse salvar do último perigo?
Percorri a alameda extensa e triste e nua
Onde outrora meu passo uniu-se ao passo teu,
Lá onde tanta vez minh’alma uniu-se à tua!
E quando suspirei baixinho o nome teu,
Cuidei ver-te um momento à frouxa luz da lua,
Beber todo o meu pranto e murmurar — sou eu!...
- Olinda.