Haraldo Harfagar
(H. HEINE - 1869)
A T. A. Araripe Junior.
Haraldo, o rei Haraldo habita o oceano
Preso nos braços da mais bela ondina:
Sucede o dia ao dia, o ano ao ano
E a fada cada vez mais o fascina.
Haraldo, o rei Haraldo habita o oceano
Preso nos braços da mais bela ondina...
A régia fronte extasiada pousa
No colo azul da peregrina fada:
Ela, o olhar enfia cobiçosa
No morto olhar da presa fascinada;
A régia fronte extasiada pousa
No colo azul da peregrina fada.
Às vezes quando a voz da tempestade
Vem perturbar o reino das sereias,
Haraldo treme, luta e na ansiedade
Tenta quebrar as lânguidas cadeias:
Às vezes quando a voz da tempestade
Vem perturbar o reino das sereias.
Outras vezes o pobre rei escuta
Normandas vozes recortando o oceano:
Novos esforços, — repetida luta,
Ânsia impotente, desespero insano!
Outras vezes o pobre rei escuta
Normandas vozes recortando o oceano.
Mas, ah! Se Haraldo cuida ouvir os cantos
Dos marinheiros que inda o vêm saudar,
Soluça, geme, e espera, envolto em prantos,
A voz que foge na amplidão do mar...
Mas, ah! nas brumas vão morrendo os cantos
Dos marinheiros que inda o vêm saudar!
A branca fada sobre o rei se inclina,
Olha-o... suspira, — beija-o docemente,
E o rei se entrega às tentações da ondina
Enquanto a vaga rola surdamente.
A branca fada sobre o rei se inclina
E em beijos sorve a lágrima demente!...
- Recife.