Haraldo Harfagar Corimbos · Capítulo 56 de 63
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Haraldo Harfagar

(H. HEINE - 1869)

A T. A. Araripe Junior.

Haraldo, o rei Haraldo habita o oceano

Preso nos braços da mais bela ondina:

Sucede o dia ao dia, o ano ao ano

E a fada cada vez mais o fascina.

Haraldo, o rei Haraldo habita o oceano

Preso nos braços da mais bela ondina...

A régia fronte extasiada pousa

No colo azul da peregrina fada:

Ela, o olhar enfia cobiçosa

No morto olhar da presa fascinada;

A régia fronte extasiada pousa

No colo azul da peregrina fada.

Às vezes quando a voz da tempestade

Vem perturbar o reino das sereias,

Haraldo treme, luta e na ansiedade

Tenta quebrar as lânguidas cadeias:

Às vezes quando a voz da tempestade

Vem perturbar o reino das sereias.

Outras vezes o pobre rei escuta

Normandas vozes recortando o oceano:

Novos esforços, — repetida luta,

Ânsia impotente, desespero insano!

Outras vezes o pobre rei escuta

Normandas vozes recortando o oceano.

Mas, ah! Se Haraldo cuida ouvir os cantos

Dos marinheiros que inda o vêm saudar,

Soluça, geme, e espera, envolto em prantos,

A voz que foge na amplidão do mar...

Mas, ah! nas brumas vão morrendo os cantos

Dos marinheiros que inda o vêm saudar!

A branca fada sobre o rei se inclina,

Olha-o... suspira, — beija-o docemente,

E o rei se entrega às tentações da ondina

Enquanto a vaga rola surdamente.

A branca fada sobre o rei se inclina

E em beijos sorve a lágrima demente!...

- Recife.

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