O Futuro Corimbos · Capítulo 5 de 63
Obra Menu

O Futuro

(1867)

À la très chère, à la très-belle

Qui remplit mon coeur de clarté!

- (Charles Baudelaire.)

Por que tal desalento e tamanha tristeza?

Da rubra natureza entrega-te ao afã:

O passado, Maria, é a treva espavorida,

O futuro querida, é a estrela da manhã!

Desabafa em meu seio as ondas do teu pranto:

Evoquemos o encanto, a virtude e o prazer:

O passado, meu anjo, é a nuvem fugidia,

O futuro, Maria, é o sol que vai romper!

Desfaz-te em luz, aurora! Ergue-te azinha, estrela!

Se tu sabes ser bela, eu sei te idolatrar:

O passado, Maria, é a voz da tempestade,

Querida! a mocidade é o verde-azul do mar!

Por que tanta tristeza e tanto desalento?

Despreza aos ais do vento os ais da tua dor:

O passado, Maria, é o pó funéreo e escuro,

E o futuro? O futuro é mais que tudo, é o amor!

- Recife.

1/1
Menu

Fazer anotação