Candura Corimbos · Capítulo 27 de 63
Obra Menu

Candura

(1868)

Teus dias correm suaves,

Bordados de loira luz,

Como o pipilo das aves

Nos horizontes azuis.

Tu’alma vai com a prece

Dormir no coxim dos céus;

O dia rompe e ela desce,

Quente dos braços de Deus!

E como o orvalho escondido

Entre os seios duma flor,

Brilha teu seio adormido

Nas rosas do teu pudor.

Nada prende os teus encantos,

Teus passos nada detém:

Choras e ris, — e teus prantos

São de alegria também.

Que doce existência tua!

Que meigo e puro arrebol!

Macio raio de lua,

Ardente raio de sol!

E teu pensamento à toa

Corre, corre sem parar

Como um barquinho que voa

Na correnteza do mar.

Mas esse encanto profundo

Há de acabar-se por fim,

Quando pensares no mundo,

Quando pensares em mim

- Recife.

1/1
Menu

Fazer anotação