A uns Quinze Anos Corimbos · Capítulo 54 de 63
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A uns Quinze Anos

(1866)

M. L.

Oh! grâce surnaturelle!

- Chansons des Bois.

És doce e pura e saudosa

Como um perfume de rosa,

Que pouco a pouco se esvai:

És como o frouxel dum ninho,

Os trinos dum passarinho,

Uma pétala que cai.

És alva e meiga e divina

Como a névoa peregrina

Da madrugada ao surgir:

O céu teu riso enamora,

Os anjos formam a aurora

Dos raios do teu sorrir.

És casta e nívea e serena

Como as asas, como a pena

Que um serafim esqueceu:

Quando tu rezas, parece

Que para ouvir tua prece

Deus põe mais astros no céu!

Teu ser a música exala:

Teu corpo aromas trescala

Tudo em ti é luz e amor:

Tu’alma um jardim resume —

Cada segredo um perfume

E cada sonho uma flor!

Às vezes tremes medrosa

Como o cálice da rosa

Por onde o vento passou...

E se o rubor te colora,

Eu vejo romper a aurora

Aonde o pejo apontou.

És triste e casta e suave

Como o soluço duma ave,

Que entre os ramos se escondeu...

se desprendes um gemido

És como um anjo perdido,

Que tem saudades do céu!

- Recife.

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