Spes Ultima
(1869)
A. J. C.
Minha doce ilusão última e pura,
Bendita rosa que plantei sorrindo,
Também te vás, também na vaga escura
Onde todos meus sonhos vão fugindo.
Nem uma estrela guiará teu rumo,
Nem seio amigo te dará guarida:
Foge. foge, ventura, esvai-te, fumo!
Que mal me faz uma ilusão perdida?
Resta-me apenas a lembrança e é tanto!
A imagem tua no tremendo dia,
Em que as ondas secarem de meu pranto,
E minha fronte resvalar sombria;
Irá comigo, ao pé de mim, cingida
Ao colo meu, sempre virente e pura!
Ela que foi meu astro nesta vida,
Será também meu sol na sepultura.
E quando,livre dos terrenos elos,
Minh’alma o espaço percorrer voando,
Há de afastar num beijo os teus cabelos,
E os nossos nomes murmurar chorando...
- Recife.