Spes Ultima Corimbos · Capítulo 61 de 63
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Spes Ultima

(1869)

A. J. C.

Minha doce ilusão última e pura,

Bendita rosa que plantei sorrindo,

Também te vás, também na vaga escura

Onde todos meus sonhos vão fugindo.

Nem uma estrela guiará teu rumo,

Nem seio amigo te dará guarida:

Foge. foge, ventura, esvai-te, fumo!

Que mal me faz uma ilusão perdida?

Resta-me apenas a lembrança e é tanto!

A imagem tua no tremendo dia,

Em que as ondas secarem de meu pranto,

E minha fronte resvalar sombria;

Irá comigo, ao pé de mim, cingida

Ao colo meu, sempre virente e pura!

Ela que foi meu astro nesta vida,

Será também meu sol na sepultura.

E quando,livre dos terrenos elos,

Minh’alma o espaço percorrer voando,

Há de afastar num beijo os teus cabelos,

E os nossos nomes murmurar chorando...

- Recife.

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