A Balada da Flor Corimbos · Capítulo 43 de 63
Obra Menu

A Balada da Flor

(1865)

A Batista Guimarães

— Queres seguir-me? Eu te oferto

Os sonhos do coração...

— Donde tu vens? — Do deserto

Das urzes da solidão:

Vivo sozinha vagando

De planta em planta levando

Os prantos da criação:

Queres seguir-me, formosa?

Disse a rosa:

— Seguir-te... não quero, não.

Sumiu-se o sopro encantado:

Sumiu-se o canto magoado

Dos gênios da solidão.

— Amo-te! Quero em teu seio

Viver de aromas, ó flor!

Que susto, — diz-me: — que enleio

Turbou-te o régio fulgor?

Eu sou o vento das noites,

Da tempestade os açoites

Da primavera o terror:

Abre-me os seios, formosa,

Dá-me, oh rosa,

A primavera do amor.

O vento foi se afastando

Nas frias garras levando

O cadáver duma flor.

Desceu a noite, e quando a noite veio,

Bem como a queixa dum ferido seio,

Vinha de volta a brisa do sertão:

Por despedida quis passar no campo,

E à varia luz de incerto pirilampo

Buscou a rosa, mas buscou-a em vão.

— Ouve-me, escuta-me, rosa.

Sou eu, minha irmã, sou eu:

Queres seguir-me, formosa?

Mas a rosa,

Mas a flor não respondeu.

- Recife.

1/1
Menu

Fazer anotação