Branca Rosa Corimbos · Capítulo 23 de 63
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Branca Rosa

(1868)

Em troca do seu perfume

Quantas saudades resume

E quantos prantos tambem!

- Casimiro de Abreu.

Pendendo a fronte virginal, formosa,

Tremendo toda de infantil receio,

Ela deixou em minhas mãos a rosa

A branca rosa que adornou-lhe o seio.

E disse, enquanto o peito seu gemia

Partido em ânsias de amargura e dor:

— “Se desprezares meu amor um dia

Respeita ao menos esta pobre flor.”

Daquela noite de emoções e festa

Daquele instante de virgíneo enleio,

Só esta morta e seca flor me resta,

A branca rosa que adornou-lhe o seio.

Quando minh’alma na feral voragem

Do mundo luta em delirante anseio,

Sabeis acaso quem me dá coragem?

A branca rosa que adornou-lhe o seio.

E quando às vezes minha boca ansiosa

Beija a — lembrança — que me fez chorar;

Sinto entre as folhas da finada rosa

Um lábio ardente os lábios meus beijar.

E dentre as cinzas da corola fria

Sai um gemido de amargura e dor:

— “Se desprezares meu amor um dia

Respeita ao menos esta pobre flor!”

Por ela esqueço o labutar profundo:

Por ela o facho da esperança ateio:

É mais que a vida e vale mais que o mundo

A branca rosa que adornou-lhe o seio!

Ó! murcha rosa cada vez mais bela,

Que tanta força e tanta luz me dás,

Tiveste o berço no regaço dela

E a sepultura junto ao meu terás!

Assim se Deus arrebatar-me à vida

Dizendo ao anjo ceifador: — colhei-o!

Plantai na terra que me der guarida

A branca rosa que adornou-lhe o seio!...

- Recife.

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