Recuerdo Corimbos · Capítulo 11 de 63
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Recuerdo

(1868)

D'un soir lointain je reconnais les fièvres

Et mon coeur a senti refluer à mes lèvres

Une fraiche saveur de baisers anciens.

Léon Valade

Nós estávamos sós. triste e saudosa

Surgia a lua no elevado monte:

Cheia de orvalho suspirava a rosa,

Cheia de rosas suspirava a fonte.

Ao pé de nós a aragem murmurava

Nos curvos ramos da mangueira em flor:

Nos nossos lábios a ilusão cantava

Nos nossos olhos despontava o amor.

Nós estávamos sós. Ela tremia

Cravando o olhar nos mudos olhos meus:

O que eu lhe disse, o que ela me dizia

Foi um mistério que sumiu-se em Deus,

A natureza festival sorrindo

Nos atraía e nos forçava a amar:

Dizia o céu: — como esse par é lindo!

Dizia a Noite: — e como é bom sonhar!

Todo mistério que seduz encanta,

Tudo o que corta a solidão baixinho:

O som dum beijo, o estremecer da planta,

O voo da ave procurando o ninho;

A folha seca que resvala e freme

Da lua o raio solitário e vago,

O mole orvalho que nas urzes treme,

A sombra inquieta que perturba o lago;

Tudo assistiu ao virginal encanto

Das nossas crenças para sempre unidas:

Viram dois rostos confundindo o pranto,

E duas almas confundindo as vidas!

As doidas frases que a chorar dissemos,

Daquela noite na eternal mudez,

O louco abraço, as juras que fizemos:

— Não se repetem: fazem-se uma vez!

...

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