A Barca
QUADRO DE VUYLSTEKE
A D. Antônio Casademunt
O sol morno, agonizante,
Sepulto quase no mar,
Lançava à terra distante
Um melancólico olhar!
Do dia a luz derradeira
Rasgando a nuvem saudosa,
Formava na água fagueira
Uma esteira luminosa;
Lá vai a barca erradia,
Garbosa passa a correr,
E fogem dela à porfia
Os ruídos do prazer:
Na barca que vai singrando
Moços, da vida na flor,
Amor! bradavam cantando,
E a vaga cantava:— Amor!
Um só, — na proa sentado,
Pálido e triste escutava
O canto desenfreado:
— Era o único que amava!
- Recife.
(*) Trad. de Charles Potvins.