Invocação Corimbos · Capítulo 34 de 63
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Invocação

(LAMARTINE - 1868)

Ó! tu, anjo de luz, — miragem santa e calma,

Filha augusta do céu, visão do sonhador;

Tu que fazes brilhar nas noites de minh’alma

O astro do teu amor;

Diz-me, ah! diz-me o teu nome e em que lugar se encerra

Teu berço... Ergue-te enfim sem nuvens e sem véus:

Nasceste entre os mortais? serás filha da terra,

Ou és a encarnação dum suspiro de Deus?

Ao romper da manhã descambarás, estrela?

Irás, ave de amor, esconder-te em teu ninho

Zombando da procela?

Ou calcarás ainda o pó deste caminho

Envolta em luto e tédio e desespero e dor!?

Ó! sombra! ó! mito, ó fada, ó! flor desconhecida,

Dá que eu possa a teus pés derramar minha vida,

Meu culto e meu amor!

Se teu ser é sujeito à foice do destino,

Ah! consente que eu siga o teu corpo divino

E beije os passos teus, sublime querubim!

Mas se tens de voltar aos céus de que partiste,

Não te esqueças daquele a quem por dó sorriste:

Recorda-te de mim!

- Recife.

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