Tarde de Outubro
Que se passait-il dans nos âmes?
Amour! Amour!
- V. Hugo.
Foi numa tarde de Outubro,
Tarde de nuvens saudosas:
Na terra um cheiro de rosas:
O horizonte rubro!
Apenas malva singela
Do seu regaço nos folhos:
No chão cravado seus olhos
E meus olhos nela!
A aragem lasciva e cálida
Os nossos ais afinava,
E eu medroso a contemplava:
Tão bela e pálida!
O ninho em sossego; — o arbusto
úmido já de sereno;
No seu regaço moreno
O segredo, o susto!
A várzea isolada, nua,
Na terra um eco tremente:
O sol a cair no poente,
No levante a lua!
Era o instante da saudade!
Ela pendida a meu braço:
As nossas almas no espaço...
Que felicidade!...
Da natureza o rumor,
O ai, o sopro, o gemido,
Tinham só um só sentido:
Era amor! amor!
As frias asas dos ventos,
A agreste e furtiva brisa
Arrebataram, Luísa,
Nossos juramentos!
Daquele encanto indizível
Tento esquecer-me nest’hora:
Cruel martírio, senhora,
Não! não me é possível!
- Rio.