Tarde de Outubro Corimbos · Capítulo 39 de 63
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Tarde de Outubro

Que se passait-il dans nos âmes?

Amour! Amour!

- V. Hugo.

Foi numa tarde de Outubro,

Tarde de nuvens saudosas:

Na terra um cheiro de rosas:

O horizonte rubro!

Apenas malva singela

Do seu regaço nos folhos:

No chão cravado seus olhos

E meus olhos nela!

A aragem lasciva e cálida

Os nossos ais afinava,

E eu medroso a contemplava:

Tão bela e pálida!

O ninho em sossego; — o arbusto

úmido já de sereno;

No seu regaço moreno

O segredo, o susto!

A várzea isolada, nua,

Na terra um eco tremente:

O sol a cair no poente,

No levante a lua!

Era o instante da saudade!

Ela pendida a meu braço:

As nossas almas no espaço...

Que felicidade!...

Da natureza o rumor,

O ai, o sopro, o gemido,

Tinham só um só sentido:

Era amor! amor!

As frias asas dos ventos,

A agreste e furtiva brisa

Arrebataram, Luísa,

Nossos juramentos!

Daquele encanto indizível

Tento esquecer-me nest’hora:

Cruel martírio, senhora,

Não! não me é possível!

- Rio.

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