Estâncias Corimbos · Capítulo 16 de 63
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Estâncias

(1868)

— Tu te gonfles, mon coeur?... Des pleurs, le croirais-tu,

Tandis que j'écrivais ont baigné mon visage.

- (Les Voeux Stériles.)

Dá-me a ventura que fugiu contigo

Dá-me uma flor das flores que voaram:

Ao pé de mim, Maria, aqui comigo

Só lágrimas ficaram.

À minha voz já não responde um eco:

O vento nos meus pés geme expirando

E do nosso jardim deserto e seco

As rosas vão secando.

As andorinhas que tu vias dantes

Do céu da tarde as névoas percorrendo,

Já vão longe, Maria, já distantes,

Que o inverno vem descendo.

Na quieta face da lagoa fria

Onde ambos nós vogávamos sorrindo,

Não vejo mais teu rosto, não, Maria,

Que as trevas vem caindo.

Se às vezes ouço o teu vestido branco

Turbar das noites a mudez sombria,

Chego tremendo, — apalpo a relva e o banco

É tudo vão, Maria.

Parece às vezes, meu amor, parece

Que a tua voz responde à voz da lira:

Mas não! é a folha seca que estremece,

É o vento que suspira!

Perdida estás, visão do meu passado!

E vós, meus dias, vós ireis passando,

Como as águas dum rio abandonado

Na escuridão rolando...

Nem uma rosa boiará nas águas.

Nem de estrelas um raio fugidio:

Curtindo penas e espalhando mágoas,

Irás secando, ó rio!

Irás secando. E o pé lasso e pesado

Do viajante calcará sem medo,

A campa que sepulta o meu passado

E fecha o meu segredo.

Quem saberá que ali naquele canto

Naquela relva festival, macia,

Dormem meus ossos, meu amor, meu pranto?!

Nem tu, nem tu, Maria!

- Olinda.

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