Estâncias
(1868)
— Tu te gonfles, mon coeur?... Des pleurs, le croirais-tu,
Tandis que j'écrivais ont baigné mon visage.
- (Les Voeux Stériles.)
Dá-me a ventura que fugiu contigo
Dá-me uma flor das flores que voaram:
Ao pé de mim, Maria, aqui comigo
Só lágrimas ficaram.
À minha voz já não responde um eco:
O vento nos meus pés geme expirando
E do nosso jardim deserto e seco
As rosas vão secando.
As andorinhas que tu vias dantes
Do céu da tarde as névoas percorrendo,
Já vão longe, Maria, já distantes,
Que o inverno vem descendo.
Na quieta face da lagoa fria
Onde ambos nós vogávamos sorrindo,
Não vejo mais teu rosto, não, Maria,
Que as trevas vem caindo.
Se às vezes ouço o teu vestido branco
Turbar das noites a mudez sombria,
Chego tremendo, — apalpo a relva e o banco
É tudo vão, Maria.
Parece às vezes, meu amor, parece
Que a tua voz responde à voz da lira:
Mas não! é a folha seca que estremece,
É o vento que suspira!
Perdida estás, visão do meu passado!
E vós, meus dias, vós ireis passando,
Como as águas dum rio abandonado
Na escuridão rolando...
Nem uma rosa boiará nas águas.
Nem de estrelas um raio fugidio:
Curtindo penas e espalhando mágoas,
Irás secando, ó rio!
Irás secando. E o pé lasso e pesado
Do viajante calcará sem medo,
A campa que sepulta o meu passado
E fecha o meu segredo.
Quem saberá que ali naquele canto
Naquela relva festival, macia,
Dormem meus ossos, meu amor, meu pranto?!
Nem tu, nem tu, Maria!
- Olinda.