Consuelo Corimbos · Capítulo 6 de 63
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Consuelo

(1868)

A M. E.

Melindroso e doce encanto

Que dás sempre à minha dor,

Uma gota do teu pranto,

Um raio do teu fulgor;

Pálida e bela adorada,

— Luz na minha escuridão —

Em cuja boca magoada

Suspira o meu coração;

Lira de dulia harmonia

Onde o poder criador,

Soube afinar a Poesia

Pela música do amor;

Favo de mel odoroso,

Que à minha boca desceu,

virgem que excitas o gozo,

anjo que apontas o céu;

Lírio medroso e orvalhado

Da aurora no alvorecer,

Em cujo cálix nevado

Meu sonho vai se esconder;

Lâmpada eterna que vela

Na minha negra aflição,

Tendo por luz uma estrela...

Por óleo — a Consolação:

Visão de amor derradeira

Que a meus olhos vem luzir:

Minha lágrima primeira

E meu último sorrir;

Deus te poupe as amarguras,

Que a minh’alma não poupou!

Deus te dê tantas venturas

Quantas o céu me negou.

- Recife.

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