Consuelo
(1868)
A M. E.
Melindroso e doce encanto
Que dás sempre à minha dor,
Uma gota do teu pranto,
Um raio do teu fulgor;
Pálida e bela adorada,
— Luz na minha escuridão —
Em cuja boca magoada
Suspira o meu coração;
Lira de dulia harmonia
Onde o poder criador,
Soube afinar a Poesia
Pela música do amor;
Favo de mel odoroso,
Que à minha boca desceu,
virgem que excitas o gozo,
anjo que apontas o céu;
Lírio medroso e orvalhado
Da aurora no alvorecer,
Em cujo cálix nevado
Meu sonho vai se esconder;
Lâmpada eterna que vela
Na minha negra aflição,
Tendo por luz uma estrela...
Por óleo — a Consolação:
Visão de amor derradeira
Que a meus olhos vem luzir:
Minha lágrima primeira
E meu último sorrir;
Deus te poupe as amarguras,
Que a minh’alma não poupou!
Deus te dê tantas venturas
Quantas o céu me negou.
- Recife.