Parte 27 Móretar - Poder Humilde · Capítulo 27 de 49
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Parte 27

Arqueiros, integrantes do Coven Wangarium e antigos membros da Ordem permaneciam no mesmo terreno. Ninguém sabia quem deveria baixar a arma primeiro.

Merlin estava desarmado entre Arthur e Paracelso. Morgana cuidava dos ferimentos de Robin. Os homens que haviam servido ao mago esperavam alguma ordem que substituísse a anterior.

Móretar ergueu uma das varinhas recolhidas.

— Se todos continuarem apontando isso para todos, alguém vai descobrir o próximo governante por acidente.

Algumas pontas desceram. Outras permaneceram na mesma posição.

Trovar se aproximou.

— Arthur sentiu para onde a Excalibur levou você. Foi assim que abrimos o portal. Athos pode voltar a qualquer momento. Precisamos partir.

— André e os vampiros morreram?

— A luz desfez os corpos. Se as partículas seguiram o curso comum, eles renasceram em outro planeta. Há um grupo procurando o rastro.

Móretar olhou para Memento, recolhido na espada.

— Seguir o curso comum não é uma resposta muito tranquilizadora.

— É a resposta que temos.

Trovar contou que Dafa e Adwig haviam matado uma à outra para escapar de Elaryan. A fuga poderia ter falhado, e as duas talvez estivessem novamente sob o alcance dela.

Móretar apertou a varinha que segurava.

— Athos consegue chegar até elas?

— Quando voltar, provavelmente.

— Então quero entender por que a Excalibur atravessou mundos quando Morgana chamou. Se isso puder ser repetido, talvez não precisemos esperar que Athos encontre todos por nós.

Havia curiosidade naquela decisão. Móretar sabia reconhecer a parte menos nobre do próprio argumento. Ainda assim, depois de obedecer às certezas de Memento em Fóster, partir sem compreender a espada parecia outro modo de se deixar conduzir.

— Ficaremos o tempo necessário para falar com quem produz as varinhas — decidiu. — Depois procuramos Dafa e Adwig.

Trovar aceitou com uma demora que serviu de protesto.

Arthur permanecia perto de Morgana. Tinham sido irmãos na Terra, porém nenhum dos dois avançava para um reencontro. A familiaridade sobrevivia nos olhares e em pequenas irritações.

— Você continua chamando a espada quando o problema fica grande demais — disse Arthur.

— E você continua aparecendo depois que alguém resolve a parte difícil.

Ele quase sorriu. Morgana também. Nenhum dos dois se aproximou mais.

Merlin indicou que a criadora das varinhas vivia perto dali. Paracelso entregou-lhe apenas um bastão sem poder para que mostrasse o caminho. Arthur não se afastou dele.

Hertho e Drácula seguiram atrás do grupo. Os dois observavam a floresta.

— O ar daqui não se comporta como o de uma mata — disse Hertho.

Drácula tocou o tronco de uma árvore.

— Também não tem cheiro de seiva.

A casa de Perenelle ficava isolada, embora as construções de um povoado pudessem ser vistas além das árvores. Robin reconheceu o lugar.

— Da Vinci vive perto daqui. Vou avisá-lo de que a Ordem perdeu o comando. Se eu não aparecer, ele pode atacar qualquer grupo acompanhado por Merlin.

Partiu com dois arqueiros.

Merlin bateu à porta.

— Perenelle! Trouxe algumas pessoas.

Paracelso avisou que ela detestava grupos. Também contou que Merlin tentara impedir a produção de varinhas para seus adversários e recuara ao descobrir que nenhuma delas podia ferir sua criadora.

— Eu respeitei o isolamento dela — corrigiu Merlin.

— Você respeitou uma ameaça maior que a sua — disse Morgana.

A porta se abriu.

Perenelle era grande, forte e usava roupas formadas por placas prateadas costuradas. Os cabelos lembravam palha espalhada, e os olhos cinzentos passaram pelo grupo contando pessoas.

— Quantas vezes eu disse: um visitante, dois com a avó? Vá embora, Merlin.

— Eles vieram de outro planeta. Móretar chegou com a Excalibur. Arthur e Morgana também estão aqui.

Perenelle tornou a olhar. Dessa vez começou pela espada.

— Três portadores?

— Dois antigos e um atual — disse Arthur.

Ela fechou a porta. Objetos caíram do outro lado, seguidos por uma reclamação abafada. Quando retornou, trazia peças de formatos diferentes e uma barra retangular dourada.

Perenelle passou a barra pelos braços, pelo peito e pelas costas de Móretar. Ele tentou perguntar o que ela media. A mulher mandou que ficasse quieto. O dourado escureceu a cada contato, até se tornar preto.

— Isso não deveria acontecer.

— O quê? — perguntou Arthur.

— A medida é específica demais. Há várias origens neste corpo e algo ligado à espada interferindo em todas elas.

Perenelle olhou ao redor.

— Outra pessoa aqui tem uma energia muito forte. Vou começar pelo dono atual da Excalibur.

Segurou Móretar pelo pulso e saltou. Ele precisou usar o vento para não ficar pendurado enquanto subiam acima das nuvens.

— Fique parado.

Perenelle aproximou as mãos. Fragmentos de metal apareceram entre suas palmas, fundiram-se e formaram uma varinha. Quando a entregou, o material estava frio.

— Aponte para cima e conduza uma parte do seu poder.

Móretar tentou oferecer uma descarga pequena. A varinha reuniu a eletricidade em um único feixe e a lançou muito além das nuvens. O campo produzido se espalhou pelo céu, tingindo-o de amarelo até a linha do horizonte.

Ele interrompeu o fluxo.

— Eu pedi uma parte — reclamou Perenelle.

— Aquilo era uma parte.

Quando desceram, Merlin tocou a varinha sem retirá-la da mão de Móretar.

— Extraordinário.

Perenelle já não olhava para ele. Procurava a outra energia que sentira no grupo.

Parou diante de Athena.

Retirou das roupas uma varinha longa, feita por outra artesã. Athena segurou o objeto. Uma luz dourada ocupou o espaço, obrigando todos a proteger os olhos. Quando diminuiu, a madeira havia assumido a mesma cor da energia ao redor da mulher.

— A criadora desta peça morreu antes de eu nascer — disse Perenelle. — A história afirma que ela reconheceria a energia de uma divindade.

Alguns habitantes do planeta se ajoelharam.

Athena continuou de pé.

— Uma varinha reagiu a mim. Isso não me torna deusa de ninguém.

Móretar se lembrou da praça de Fóster.

— Levantem. Profecias e objetos podem ser preparados para produzir uma resposta muito antes de conhecermos a pergunta.

Perenelle segurou a barra escurecida junto ao corpo.

— Mesmo assim, a energia é dela. Preciso examiná-la.

Merlin saltou.

Arthur tentou alcançá-lo, mas o mago tocou a varinha primeiro. A arma deixou a mão de Athena e foi para a dele.

— A misericórdia de vocês acaba de colocar o poder de uma divindade nas minhas mãos.

Energia girou ao redor da ponta. Raios se comprimiram dentro de um redemoinho, aumentando a cada volta.

— Solte! — gritou Perenelle.

Móretar ergueu a Excalibur. Antes que pudesse lançá-la, o campo se rompeu.

A explosão o arremessou contra as árvores. A varinha caiu perto de Athena, ainda emitindo luz. Merlin desaparecera.

Móretar procurou fragmentos do corpo ou o sinal de uma morte. Não encontrou nenhum dos dois.

Móretar olhou para o lugar vazio. Mantivera Merlin vivo para que respondesse pelo que fizera. Agora teria de encontrá-lo outra vez.

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